Rafael Andrade

São Martinho/Imbituba

O corpo de Moisés Ribeiro, de 41 anos, do bairro Nova Brasília, em Imbituba, foi localizado na manhã desta sexta-feira (2) pela Polícia Civil de Imbituba, durante um trabalho de investigação que iniciou em setembro do ano passado, após o registro do seu desaparecimento feito por sua companheira. O homem foi vítima de homicídio praticado em São Martinho, município da Amurel, onde o corpo estava enterrado no bairro São Luís, em um local de difícil de acesso (em uma plantação de fumo pertencente à família do investigado). A ocultação do cadáver foi, segundo a polícia, executada por um jovem de 25 anos, principal investigado e suspeito de ter matado Moisés. A motivação do crime teria sido a negociação de um terreno entre autor e vítima.

Foi cumprido mandado de prisão temporária contra o suspeito. Durante as investigações, foram representadas, ao Poder Judiciário, várias medidas cautelares, entre elas a quebra de sigilo telefônico, interceptação telefônica, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo telemático (e-mails), busca e apreensão e acesso ao conteúdo dos celulares apreendidos. O trabalho de investigação iniciou com o delegado Diego Parma e, após o dia 1º de dezembro do ano passado, quem assumiu o caso foi o delegado Juliano Baesso, que coordenou a ação desta sexta-feira.

Além da prisão temporária, iniciada hoje, foi dado cumprimento ao mandado de busca na casa do suspeito. Logo após a prisão, ao ser confrontado com as provas existentes, notadamente com o conteúdo das interceptações, o investigado (em seu terceiro interrogatório) confessou a autoria do homicídio. Segundo ele, teria acertado dois golpes na vítima e depois a deixou desacordada no interior do Rio’Duna, região de Imaruí. Dando prosseguimento às investigações, apurou-se que a versão não correspondia com a realidade. Novamente interrogado, o investigado mudou seu depoimento, salientando que havia ceifado a vida de Moisés com um tiro na nuca e, posteriormente, jogado o corpo em uma fogueira. Novamente acabou entrando em contradições. Em seu quinto depoimento, confessou que enterrou o cadáver em sua propriedade no município de São Martinho. A polícia acredita que o golpe que matou Moisés foi uma paulada na cabeça, mas vai aguardar o laudo da perícia, que deve sair em até 30 dias, para confirmar a causa. 

Uma equipe da Polícia Civil de Imbituba, do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto-Geral de Perícias (IGP) de Tubarão dirigiram-se ao local apontado pelo suspeito. Após horas de trabalho, foi localizado o corpo (enterrado a aproximadamente 1,3 metro e em avançado estado de putrefação). Assim que encontrado o cadáver, foi acionado o helicóptero do Serviço Aeropolicial (Saer) de Criciúma, que esteve no local e contribuiu para a retirada do corpo, içado do meio da plantação de fumo até o carro do IML. “Agradeço a equipe de investigação de Imbituba, aos tripulantes do Saer, ao IML, ao IGP e a todos que contribuíram para a resolução deste caso”, resume Juliano. O inquérito ainda não foi concluído.

Com o assassinato de Moisés, subiu para 24 o número de homicídios, no ano passado, na Amurel. Laguna liderou com oito casos. Tubarão registrou seis assassinatos; Imbituba, três; Braço do Norte, dois; e Jaguaruna, Garopaba, Treze de Maio, Capivari de Baixo e São Martinho, um cada.