O tio da menina Estela Evangelista de Oliveira, de 6 anos, encontrada morta no morro dos Prazeres, em Santa Tereza, na região central da cidade, foi preso na noite de ontem no Aterro do Flamengo, na zona sul do Rio. Ele foi reconhecido por um morador de rua que acionou agentes do Aterro Presente. 

Em depoimento, Paulo Sérgio, 32, confessou ter matado a sobrinha, segundo a Polícia Civil. O motivo não foi divulgado. Ele e criança estavam desaparecidos desde o último sábado quando saíram juntos com o pretexto de irem à praia. Desde então, tio e sobrinha nunca mais retornaram para a casa. 

Depois de quatro dias sendo procurada pela família, Estela foi encontrada morta no no alto da comunidade. O tio continuou desaparecido e acabou preso ontem à noite.

De acordo com um laudo preliminar do IML (Instituto Médico Legal), a menina foi morta por asfixia mecânica, ou seja, enforcamento. O laudo definitivo sai em 30 dias. Os exames apontarão também se a vítima sofreu violência sexual. 

Ontem a madrinha da garota, Edileuza Evangelista, disse que a mãe está em choque e que espera por justiça. Desde que a filha não retornou para casa, a família fez buscas nas ruas pela garota. Horas antes de o corpo ser encontrado na comunidade, a mãe de Estela, Luciana Evangelista, estava na Catedral da Lapa, na região central da cidade, em busca da menina. Parentes receberam informações de que a menina tinha sido vista no local.

Ao UOL, Luciana contou que Paulo Sérgio, seu irmão e tio de Estela, já teve um problema relacionado ao uso de álcool, mas que havia conseguido superar a dependência. Ela disse também que ele era um familiar muito próximo à menina. “Ele era uma pessoa da minha confiança, é meu irmão. Eu vivia na mesma casa que ele. Eu tinha confiança nele”, disse a mãe de Estela que vivia com a filha, os irmãos Paulo Sérgio e Marcelino e uma prima de consideração na mesma casa, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.

A família explicou também que só se deram conta da gravidade do ocorrido quando conseguiram contato com a namorada de Paulo Sérgio na noite de segunda-feira (7). Eles acreditavam que Paulo poderia ter ido com a menina para a casa da namorada, algo comum à rotina do irmão. No entanto, a mulher informou à família que não havia visto o namorado e não sabia onde ele estava. A partir de daí, o caso foi registrado como desaparecimento na Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). 

Neste ano, Luciana já havia perdido um filho. Há três meses, ela enterrou um menino com Síndrome de Down. Ele morreu em decorrência de uma grave pneumonia.