"Acredito 100% na ressocialização. Estamos trabalhando nisso porque apoiamos a iniciativa. Se não apostássemos, então se faria a prisão perpétua." Maurício da Silva, presidente do Conselho Municipal de Segurança.

Mirna Graciela
Tubarão

Tomar medidas para a ressocialização dos detentos será fundamental no novo Presídio Regional de Tubarão. Com este objetivo, será realizada hoje, às 14 horas, uma reunião com o juiz de execução penal Elleston Canali, no fórum.

O presidente do Conselho Municipal de Segurança, Maurício da Silva, lembra que se trata da continuidade de uma conversa iniciada no fim do ano passado. “Levantamos algumas questões importantes. Um número maior de presos que possam trabalhar e estudar, que o presídio não tenha sinal de celular e que as visitas sejam monitoradas (advogados e familiares)”, relata.

A meta é reduzir a reincidência. Eles são presos, saem e voltam a praticar crimes. O ideal é que se reintegrem à sociedade após a liberdade.
Para o gerente do Presídio Regional de Tubarão, Deiveison Querino Batista, que também participará do encontro, é possível o preso deixar o crime, independente do que cometeu, através de trabalho e estudo. “Isso gera uma boa expectativa, já estamos antecipando a discussão para quando o presídio estiver funcionando”, analisa.

Atualmente, 18 detentos trabalham, dez deles fora do presídio. Quatro do semiaberto atuam em empresas da região, três prestam serviços voluntários na Apae e três à secretaria de desenvolvimento regional, na reforma do Colégio Galotti. Oito presos trabalham no semiaberto, na montagem de chuveiros, pela ThermoSystem. “A previsão é de que 20 estejam futuramente neste grupo, pois depende da linha de montagem da empresa”, adianta Deiveison.
O Presídio Regional de Tubarão possui 346 detentos. Desses, 55 são mulheres, e 36 estão na ala do semiaberto da nova unidade, no bairro Bom Pastor.
 

Estudo e controle total dos presos que trabalham
Para o presidente do Conselho Municipal de Segurança, Maurício da Silva, é necessário dar aos presos condições de estudo e trabalho. “Com adaptações simples na estrutura física e a contratação de mais um professor no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), isso é possível. Temos que dar possibilidades para que eles sejam aceitos no mercado de trabalho. Vamos conversar com o juiz Elleston para aumentar o número de detentos com uma profissão”, adianta.

O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Tubarão (Sinduscon) já se colocou à disposição. Para isso, tem que haver um sistema de controle de presença, alguém que os leve no local, faça um mapa diário e os acompanhe na volta. É o juiz quem vai avaliar a possibilidade de os presos saírem para esse tipo de atividade. Este controle, segundo Maurício, é extremamente necessário para não ocorrer aqui, o que é visto em outros lugares, quando os presos saem para trabalhar, não aparecem no serviço e, muitos, não retornam ao presídio.