Muitas pessoas compareceram ao julgamento. Marcos Pedro de Oliveira Martins, o réu (detalhe), hoje com 30 anos.
Muitas pessoas compareceram ao julgamento. Marcos Pedro de Oliveira Martins, o réu (detalhe), hoje com 30 anos.

Mirna Graciela
Tubarão

Foram 11 anos de espera até o julgamento. E o veredito foi a condenação do réu a oito anos e seis meses, com possibilidade de recorrer em liberdade. Marcos Pedro de Oliveira Martins, 30 anos, foi a júri popular, ontem, acusado de matar Luiz Fernando Rosso Dassoler, na época com 21 anos.

O crime ocorreu em Tubarão, e gerou grande comoção popular. A sessão começou às 9 horas e estendeu-se até o fim da tarde. O júri popular foi composto de sete pessoas, sete delas mulheres.
Parentes e amigos de Luiz Fernando participaram emocionados do julgamento. “Por melhor que seja a decisão, para nossa família não será justo, porque não trará ele (Luiz Fernando) de volta”, lamentou Janieri Rosso Dassoler, irmã da vítima.

Mais de 50 pessoas lotaram um ônibus de Araranguá, cidade onde mora a família, com destino a Tubarão. A sessão foi presidida pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Elleston Lissandro Canali. “Pode haver um recurso do Ministério Público para elevar a pena, mas posso afirmar que é improvável, pois já foi aplicada acima do mínimo legal. Considerei a gravidade do fato para agravá-la”, considerou o juiz.
A pena aplicada está prescrita, por isto, não tem como cumpri-la. Isto porque passou o tempo previsto em lei para que houvesse o julgamento – entre a data de recebimento de denúncia e a da sentença de pronúncia, que foi em março do ano passado.

Segundo o magistrado, a prescrição ocorre com frequência, e torna-se mais rara em razão da instalação de novas varas criminais em Tubarão.
Os advogados de acusação irão recorrer ao Tribunal de Justiça.

Como ocorreu o crime

Uma briga banal, no dia 20 de outubro de 2001, motivou o assassinato de Luiz Fernando Rosso Dassoler, aos 21 anos, em Tubarão. Ele foi atingido por 11 facadas pelo amigo com quem dividia o apartamento, o maracajaense Marcos Pedro de Oliveira Martins, na época com 19 anos.

Naquela noite, Luiz Fernando levou a namorada e alguns amigos, entre eles Marcos, para uma festa. Ele estava prestes a se formar em agronomia. Durante a festa, Luiz brincou com Marcos, como era hábito da turma, de empurrar o ombro do amigo, que não gostou da brincadeira, e iniciou uma briga ali mesmo, no clube.

Luiz decidiu ir para casa, acompanhado de um amigo, que se despediu dele poucos metros antes de entrar na residência que dividia com Marcos. Ao ouvir os gritos de Luiz Fernando, o amigo retornou a tempo de vê-lo, quando saía do local ensanguentado. Ao mesmo tempo, Marcos também deixava o lugar com a faca na mão, e a roupa também suja. À polícia, o rapaz confessou o crime, mas alegou legítima defesa e ficou preso somente oito dias.


"Meu filho não vai voltar. Espero que saia pelo menos uma punição favorável para que sirva de exemplo à sociedade."

Vereador Jacinto Dassoler, pai de Luiz Fernando Rosso Dassoler, duas horas antes da sentença.