Rafael Andrade
Imbituba

Dez pessoas, incluindo crianças, moradoras de quatro casas, foram expulsos por cerca de 50 policiais militares de Imbituba e dois oficiais de justiça, ontem. O grupo cumpriu um mandado de reintegração de posse. O documento havia sido expedido no fim de abril pela justiça federal de Laguna. Havia um prazo de 50 dias para os agricultores deixarem as terras, mas eles não cumpriram.

A propriedade, de 250 hectares, fica no bairro Volta da Taboa e foi comprada por um empresário de Imbituba em 2002. O terreno pertencia à Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc). Um empresário teria pago R$ 0,11 pelo metro quadrado na época – preço considerado abaixo do mercado imobiliário.

O imóvel é muito conhecido na cidade por ser uma terra de agricultores, que estavam instalados ali há mais de 100 anos. “Foi uma ação truculenta da polícia. Os agricultores estavam produzindo, plantando há mais de um século. A profissão passava de pai para filho. Em 2002, os trabalhadores rurais conquistaram o direito de ficar nas terras através de uma liminar”, lembra Ademir da Rosa, secretário geral da Associação Comunitária Rural de Imbituba.

Na próxima segunda-feira, o caso será debatido em audiência no Superior Tribunal Federal (STJ), em Brasília. Os agricultores deverão viajar para a capital federal acompanhados dos advogados para tentar reverter o processo de reintegração. Os agora ‘sem terra’ foram removidos para casas de parentes. As casas foram destruídas por retroescavadeiras. A cavalaria da PM de Florianópolis participou da operação.