Zahyra Mattar
Tubarão

Natália, Lú, Vilmara, Lívia, Soraia, Nadir, Jussara, Fernanda, Michele, Kelly, Patrícia, Thaira, Vanessa, Vilsinha. Todas femininas, ainda que não tenham nascido geneticamente mulheres, que lutam por respeito e espaço perante a sociedade. É por este motivo que um grupo de travestis, todos membros da Associação de Transgêneros da Amurel e Tubarão (Gata), moradores do município há mais de oito anos, em média, vêm a público tentar alertar para a prática de cafetinagem na cidade.

O episódio registrado na madrugada de segunda-feira, em Laguna, quando um travesti foi esfaqueado até a morte por um caminhoneiro, em Laguna, reacendeu uma luta deste grupo para fechar a casa de prostituição ilegal que atua na cidade há aproximadamente quatro anos. Os travestis afirmam que a pessoa esfaqueada morava na casa da cafetina e não era a primeira vez que assaltava os caminhoneiros na BR-101. “Esta dupla ficava a madrugada inteira circulando de carona na BR-101. Desta vez, elas mexeram com alguém que não deviam e se deram mal”, diz uma delas.

O grupo trabalha em dois pontos localizados na margem esquerda da BR-101, em Tubarão. Um fica em um posto de combustíveis e outro nas proximidades de uma revenda de carros. Os agenciados pela cafetina trabalham na margem esquerda, em outros dois pontos distintos. Um dos profissionais afirma que, quando chegou em Tubarão, foi abrigado na casa desta cafetina. “Na época, quem administrava a casa não era esta que está hoje, mas uma amiga dela que foi morar na Europa. Cobravam R$ 20,00 por dia para eu poder morar lá. Quando tinha gente demais, os colchões eram distribuídos pelo chão da casa toda”, recorda.

A residência, conforme a denúncia do grupo, acolhe travestis que vêm de toda Santa Catarina e até de outros estados. “Elas aprontam na cidade, vão embora e quem paga por isso somos nós, que moramos aqui. Cada um tem a sua casa, endereço fixo, pagamos impostos como qualquer outro cidadão. Ela tem duas casas de cafetinagem. Uma em Imbituba e esta aqui em Tubarão. Quando aprontam aqui, são mandadas para Imbituba”, denunciam.