Rafael Andrade
Tubarão

A chegada de um novo diretor nesta sexta-feira só vem a reforçar as limitações do Presídio Regional de Tubarão na situação, atualmente com 327 presos. Em menos de sete meses, esta é a terceira mudança na administração da unidade.

O 2º sargento da Polícia Militar de Tubarão Décio Paquelin deixou o comando da instituição no fim da tarde de quinta-feira. O também tubaronense Deiveison Querino Batista, 27 anos, há três anos e meio agente penitenciário, assumiu a administração da unidade carcerária no fim da tarde desta sexta.

Ele foi indicado pela direção do Departamento de Administração Prisional (Deap) de Santa Catarina e pela Secretaria de Justiça e Cidadania (SSJ). Deiveison atuava como chefe de segurança do Presídio Santa Augusta, em Criciúma, até quinta-feira, quando recebeu a notícia de que seria o responsável para assumir o cargo.

“Vim para ficar e mudar algumas realidades. Os presos precisam ser mais atendidos, principalmente os seus processos jurídicos. Muitos podem ter direito à progressão de regime. Pretendo colocar esta situação em dia com um mutirão nos setores administrativo e jurídico do presídio, a partir da próxima segunda”, informa Deiveison.

Paquelin ressalta que foi convidado a sair. “Participei de uma reunião na quinta de manhã com os representantes do sistema prisional catarinense e com o próprio secretário estadual de segurança pública. Eles me relataram que, em virtude dos últimos ocorridos no local, seria interessante a mudança na direção. Pressionado, fiz a minha carta de desligamento e saí”, esclarece Paquelin.

‘Bomba relógio’
O Presídio Regional de Tubarão tem capacidade para 60 reclusos e, até esta sexta-feira à noite, já estava com 327 presos – 45 mulheres instaladas em uma ala provisória. Um complexo carcerário é construído no bairro Bom Pastor (região rural) e terá espaço para 368 detentos. As atuais instalações serão adequadas para atender as mulheres que ficarão no local.

Décio Paquelin vai reivindicar vaga

“Acredito que fiz um bom trabalho, tanto em 2003 e 2004, quando gerenciei o Presídio Regional de Tubarão quanto este ano”, declara o ex-diretor Décio Paquelin.
Ele afirma que vai contatar o deputado federal Edinho Bez (PMDB) segunda-feira para solicitar uma interferência quanto à troca na gestão.
“Não quero voltar como diretor, e sim tentar dar oportunidade a um agente que já atua no presídio e não ver pessoas vindo de Criciúma”, conclui Paquelin.

Outros ex-diretores

As mudanças constantes de cargos ocorrem desde setembro do ano passado, quando o ex-diretor Fabrício Buss assumiu o cargo de Ricardo Welausen, que ficou na direção por cinco anos. Uma sindicância iniciada em dezembro do ano passado que envolve Fabrício – ainda não foi concluída pela corregedoria do Departamento de Administração Prisional (Deap) – culminou no afastamento do ex-dirigente.

Ricardo retornou à gerência, mas solicitou a saída depois de dois meses. Décio Paquelin assumiu e deu o seu ritmo. Ele já havia administrado o local em 2003 e 2004. Durante a sua permanência este ano, de quase quatro meses, muitos fatos ocorreram.

O principal foi a agressão a detentos pelo ex-chefe de segurança, Carlos Augusto Macedo Mota, que está afastado do cargo em decorrência de uma sindicância aberta depois de que uma câmera escondida registrou a agressão a dois presos que vinham de transferência da Penitenciária Sul, de Criciúma, no início de junho.
Agora, chega Deiveison Querino Batista, 27 anos. “Espero fazer um bom trabalho e atender com profissionalismo detentos, agentes e familiares dos reclusos”, explica Deiveison.