Rafael Andrade
Tubarão

O caso da detenção de um agente penitenciário, um funcionário terceirizado e dois apenados do Presídio Regional de Tubarão, em Imbituba, na noite de quarta-feira, segue sob investigação. Os quatro foram detidos por policiais militares e civis na praia do Rosa, e encaminhados à delegacia da cidade, onde prestaram depoimento.

O delegado de Imbituba, Ricardo Saroldi Chaves, acusa os funcionários do presídio de facilitação de fuga de pessoa presa. Porém, os agentes foram liberados poucas horas após a detenção. “Não cometemos nenhum crime, foi um absurdo o que fizeram conosco, um abuso de autoridade”, garante um agente. “Nós estávamos trabalhando. Fomos pegar um computador na casa de um detento. Ele havia nos emprestado para uso administrativo no presídio”, informa o agente terceirizado.

O diretor da unidade tubaronense, Fabrício Buss de Medeiros, assegura que toda a ação de transporte dos apenados até Imbituba tinha o seu conhecimento. Segundo Fabrício, o computador era necessário para agilizar os processos administrativos de fim de ano, como indultos de natal e saídas temporárias. “Ao meu ver, não ocorreu nenhum crime neste ato. Meus funcionários não portavam drogas e estavam a trabalho.

Os detentos foram levados para auxiliar na aquisição do computador e de fios elétricos. Se este processo é entendido como errado para algumas pessoas, sou o culpado por ter autorizado a viagem do grupo até Imbituba”, explica Fabrício.
O agente e o funcionário retornaram a Tubarão e trabalham normalmente. Os presidiários foram encaminhados à Unidade Prisional Avançada (UPA) de Imbituba e aguardam decisão da justiça local. Eles podem ser transferidos a qualquer momento a Tubarão, onde cumprem pena.

Processo administrativo

A conduta dos funcionários estaduais detidos é analisada pela gerência jurídica do Departamento de Administração Prisional (Deap) de Santa Catarina.
O diretor do Deap, Nilson Júlio da Silva, destaca que o caso segue sob investigação. “Vamos apurar o que houve na polícia de Imbituba. Afastaremos o agente terceirizado por tempo indeterminado. Também precisamos avaliar a participação da direção do presídio. Já abrimos o procedimento disciplinar para apurar melhor o fato. Se for comprovada a facilitação de fuga ou outro crime, com certeza, haverá demissões”, antecipa Nilson.

Ele ainda reforça que não costuma presenciar este tipo de operação à noite, com detentos. “Desconheço o processo de transportar os presidiários para auxiliar na compra de um produto ou na busca de um objeto para uso da unidade”, completa Nilson.