Suspeito de matar a menina Rachel Onofre há 11 anos, Carlos Eduardo dos Santos, 52 anos, confessou o crime em depoimento à polícia nesta quarta-feira (25). Após ser morta, o corpo da pequena, de 9 anos à época, foi abandonado em uma mala na rodoviária em Curitiba, no Paraná, em 5 de novembro de 2008, dois dias após desaparecer. 

Os detalhes do depoimento foram repassados pela polícia em coletiva de imprensa na manhã de ontem. Segundo a delegada Camila Cecconello, o homem residia próximo da casa da família de Rachel e, antes de abordá-la, monitorou a sua rotina. No dia do desaparecimento, disse para a menina que trabalhava para um programa infantil famoso e a convenceu a ir até seu escritório para assinar os papéis para poder participar da atração. 

No depoimento, Santos relatou que a menina ficou desconfiada. “Assim que chegou no local, ela estranhou e começou a reagir, a gritar. Nesse momento, ele acabou cometendo o ato sexual e matou a vítima. Ele ficou com medo que outras testemunhas ouvissem e acabou a sufocando”, acrescentou a delegada.

No depoimento, o homem demonstrou frieza ao relatar o crime, mas disse estar arrependido por ter matado Rachel. “Em determinados momentos ele até dizia: ‘Fui uma pessoa ruim, fui um monstro’, mas isso em palavras”, observa Camila. 

O homem contou ainda que optou por colocar o corpo em uma mala e abandonar na rodoviária por ser um lugar de bastante movimento e que “poderia transitar com a mala sem ser percebido”, complementou a delegada.

Segundo a delegada, Santos foi indiciado por outros seis estupros de vítimas da mesma faixa etária de Rachel, cometidos no interior de São Paulo. Entretanto, ela teria sido a única morta por ele. O homem tinha costume de cometer os crimes e mudar de cidade. 

Em Curitiba, Santos morou por cerca de um ano. “Ele era preso, saía para o regime semiaberto, daí se mudava para outra cidade. Ele cometeu vários crimes em diversas cidades do Estado de São Paulo.

Ao ser chamado para depor, o homem primeiro disse que só iria falar em juízo, durante o andamento do processo. “Nós explicamos para ele que já tínhamos o DNA, então seria melhor ele dar a versão dele, então ele acabou contando e confessando esse crime”, observOU a delegada.

Identificação 

A policia chegou até ele a partir da comparação do DNA retirado do corpo de Rachel com amostras do Banco Nacional de Perfil Genético, mantido pelo Ministério da Justiça. A iniciativa reúne, por enquanto, bases de dados de Paraná, São Paulo e do Distrito Federal. 

O banco de dados é atualizado semanalmente com material colhido de presos que cometeram crimes hediondos. No caso de Rachel, a amostra foi comparada com 116 perfis integrantes do sistema até ser detectada a compatibilidade com Carlos Eduardo, que foi total. Das 23 características analisadas no exame, todas bateram. 

Carlos Eduardo está preso em Sorocaba desde 2016, condenado a 22 anos de prisão, e tem histórico criminal extenso, que inclui crimes que vão desde estupro, atentado violento ao pudor e estelionato até roubo e falsificação de documentos. Os crimes teriam sido cometidos em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Ele já respondeu por quatro acusações de cunho sexual.