Em razão de suspeitas de que na fornalha da caldeira de um clube em Lages poderia estar os ossos da mulher desaparecida na última terça-feira, Aline Santos Rosa, a Polícia Civil pediu que fosse feita a limpeza. Isso porque o marido dela trabalhava no clube e há imagens dele no local em horário diferente de seu expediente e horas depois do desaparecimento.

Mesmo assim, segundo a Polícia Civil, até quarta-feira (24), o marido Alceu de Nazaré Machado da Rosa (39) não era investigado, apenas foi ouvido como testemunha por ser parente próximo. Inclusive na quarta pela manhã ele foi entrevistado na Rádio Clube em campanha para encontrar a esposa, que morava no Bairro Habitação e trabalhava na JBS.       

Na fornalha foram encontrados fragmentos de ossos, mas o Instituto Geral de Perícia (IGP) não conseguiu definir se são pedaços de ossos humanos ou não. O material foi recolhido para análise de DNA que será feito em Florianópolis, pois precisa ser feito por um profissional forense (antropólogo forense) e exige um laboratório mais sofisticado.

Segundo a Polícia Civil, a fornalha tem capacidade de queima razoável e por isso não demoraria muito para decompor um corpo. Ainda de acordo com a PC, se o exame for positivo para osso humano existe um crime e a investigação vai continuar, pois precisam concluir o inquérito encontrando o autor ou autores do crime, embora não haja formalização de investigado, existe uma desconfiança de que Alceu está envolvido o que prejudicaria nesse processo a responsabilização judicial, já que ele morreu na tarde de quarta em acidente na BR-116.

“Caso complicado”, diz gerente do IGP

Segundo o gerente da 6ª Meso Regional do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Lages, André R. Gargioni, o DNA é um exame não comum e de altíssimo custo. No caso da ossada encontrada é necessário um laboratório extremamente sofisticado.

“Não pode ser feito por qualquer profissional, ele tem que ser antropólogo formado, capacitado e habilitado. O exame é demorado e exige vários processos. Há prova e contra-prova, além do mais a ossada foi submetida a uma fornalha e deixou os ossos totalmente deformados, perdeu proteína e precisa ser avaliado em laboratório de microscopia eletrônica”.

Além disso, o gerente comenta a necessidade de se verificar se o material genético pode ser examinado, pois precisa ser preparado e isso demora. “É uma obra de arte e demora muito tempo. Não é um questão de ser rápido ou não. Um exame que demora três meses para sair o resultado é rápido”, explica.

Ou seja, será muita sorte se o material recolhido tiver condições de definir o DNA e confrontar o código genético com o da família, pois a elevada temperatura diária da caldeira pode ter desnaturado a ossada provocando perda de todo e qualquer proteína humana.

Conforme os procedimentos protocolares, a Polícia Civil deve abrir inquérito e solicitar material dos familiares da Aline Santos Rosa. Material que segue junto para ser examinado pelo laboratório do Instituto e Análise Forense do IGP em Florianópolis.