Joinville

O sequestro de uma aeronave terminou em acidente no Litoral Norte de Santa Catarina, nesta quinta-feira (8). Depois de ser rendido em Penha, durante um voo fretado, o piloto foi obrigado a seguir até Joinville. Após sobrevoar a área do Complexo Prisional de Joinville, o helicóptero acabou caindo e explodindo no bairro Paranaguamirim, na zona Sul da cidade. Quatro pessoas estavam a bordo, três delas morreram carbonizadas – o piloto, o ajudante e um dos suspeitos do sequestro. O único sobrevivente é o segundo suspeito, ele segue internado em estado estável no Hospital Municipal São José.

O acidente foi registrado por volta das 15h40, na servidão Adenilda Roeder, ao lado da rua Monsenhor Gercino. A servidão fica a 2,5 quilômetros do Complexo Prisional de Joinville, local em que estão o presídio e a penitenciária da cidade. O helicóptero caiu em cima do muro de duas residências. As estruturas das casas não ficaram comprometidas e os moradores não tiveram ferimentos. “Foi um estrondo muito grande, ouvimos tiros e uma explosão achei que tinham colocado uma bomba aqui em casa. Quando sai no portão vi o helicóptero explodindo. Foi tudo muito rápido. Gritei para minha filha para chamar os bombeiros, foi um susto grande. Em toda minha vida, nunca vi uma situação desta”, contou a costureira Adelaide, que mora ao lado do local da queda.

Vítimas

O homem que sobreviveu, teria conseguido saltar da aeronave logo após ela bater no chão, instantes antes de explodir. Populares ajudaram a tirar a vítima do fogaréu. Ele recebeu os primeiros socorros pela equipe do Helicóptero Águia da Polícia Militar e foi conduzido ao Hospital Municipal São José.

Um dos suspeitos, Daniel da Silva, o único sobrevivente, foi resgatado com vida e conduzido ao Hospital Municipal São José | Fotos Redes sociais/OCP

De acordo com a unidade, ele foi identificado como Daniel da Silva, 18 anos. O paciente segue na sala de emergência, está recebendo ventilação mecânica e sedado para preservar vias aéreas. O jovem também teve várias queimaduras de segundo e terceiro grau nos braços, pernas e face. Ainda de acordo com o hospital, Daniel provavelmente sofreu queimaduras de vias aéreas. Ele está hemodinamicamente estável.

Entre os três mortos está Antonio Mario Aguiar, 57 anos. Ele era o piloto do helicóptero pertencente à empresa Avalon Táxi Aéreo e tinha mais de dez anos de experiência. A empresa presta serviços de voos panorâmicos para o Parque Beto Carrero World. Outra vítima fatal pode ser o auxiliar de pista da empresa (fato ainda é apurado pela Polícia). Ele foi pré-identificado como sendo Ledir de Santos Siqueira. A terceira vítima que morreu na queda era o passageiro pré-identificado como sendo Alex.

Perícia

O local do incidente foi completamente isolado. Equipes do Instituto Geral de Perícias de Joinville estiveram no local e recolheram os corpos. Nesta sexta-feira é esperada a chegada dos peritos de Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) que vêm do Rio Grande do Sul para recolher os destroços e iniciar as investigações que devem apontar as causas da queda. Todo o trabalho pode levar mais de um ano.

O Jornal de Joinville conversou com o mecânico aeronáutico, Michelo Ortega, responsável por fazer a manutenção do Helicóptero Águia da Polícia Militar, em Joinville. Ele explicou que o helicóptero que caiu tinha o prefixo PRHBB, e era do modelo BELL 206 Jet Ranger. “Está é uma das mais modernas aeronaves do mercado. É muito segura, é quase impossível este helicóptero cair assim. Vamos aguardar o que vai apontar o relatório do Cenipa. O helicóptero não tem caixa preta”, disse Ortega.

Plano quase perfeito

O acidente aeronáutico registrado em Joinville fez parte de um plano quase perfeito para um resgate cinematográfico de um detento do Complexo Prisional de Joinville. É esta a principal linha de investigação da Polícia Civil de Joinville, até o momento. Segundo as informações divulgadas pela polícia, o plano teve início em Penha, quando Daniel e Alex contrataram o serviço de táxi aéreo que funciona em frente ao Parque Beto Carrero World.

Logo após a decolagem, os criminosos renderam o piloto, Antônio Mario Aguiar, e o obrigaram a seguir até Joinville. Nem a torre de comando da Infraero de Navegantes, nem a de Joinville foi informada do novo plano de voo do piloto, o que reforça a tese do sequestro. Além disso, Antônio conseguiu acionar um equipamento do helicóptero que envia mensagens a torre de comando da Infraero de Curitiba, em caso de sequestros.+

Um revólver e uma pistola foram encontradas nos destroços 

Após chegar em Joinville, e antes da queda, tiros foram ouvidos. Em meio aos destroços do helicóptero uma pistola e um revólver foram localizados. Daniel já tinha antecedentes criminais por tráfico de drogas e cumpria pena no regime semiaberto. Recentemente ele deixou o Presídio Regional de Joinville. Agora ele está internado sob custódia, no Hospital Municipal São José.

A delegada regional de Joinville Tânia Harada informou que o caso será repassado à Polícia Federal que fará a investigação criminal do sequestro seguido de acidente e morte.