Três pastores evangélicos brasileiros foram presos nesta quinta-feira (9), em operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal, na cidade da Amadora, na Grande Lisboa. Eles são suspeitos de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal. Cerca de 30 brasileiros – entre eles, crianças – foram resgatados na ação. 

Segundo o órgão, as vítimas eram mantidas em “condições muito precárias” e a maioria estaria em situação migratória irregular. O grupo teria saído do Brasil após ser aliciado pela organização religiosa, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades portuguesas.

Também não foi informada a identificação dos pastores detidos – dois homens e uma mulher. Eles foram apresentados nesta sexta-feira (10), à Justiça de Portugal para prestar depoimento e passar por interrogatório.

Além das prisões, o SEF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão. Ao todo, 55 agentes participaram da operação. A investigação começou há cerca de três meses após o SEF receber uma denúncia. De acordo com o órgão, a apuração segue em andamento.

Exploração

Em nota, o SEF afirma que os brasileiros eram mantidos em condições precárias de alojamento e também realizavam trabalhos irregulares. “Os cidadãos estrangeiros, entre os quais crianças, eram sujeitos ao pagamento de quantias de dinheiro para a organização religiosa”, diz.

Segundo o jornal português Público, o alojamento ficaria em um armazém, com banheiros comunitários e refeitório. Lá, também aconteciam os cultos. Para convencer os imigrantes a saírem do Brasil, os pastores prometiam trabalho e regularização em Portugal, o que não acontecia, diz a publicação. 

“Havia ali claramente indícios de exploração”, declarou Gonçalo Rodrigues, diretor central de investigação do SEF, em entrevista ao jornal português. Ainda segundo Rodrigues, o salário recebido pelas vítimas supostamente “regressava à igreja”. O valor pago, poderia chegar até a 300 euros (cerca de R$ 1.366). 

Em 2018, dado mais recente, Portugal registrou 59 vítimas de tráfico de pessoas, segundo relatório do SEF. Procurado, o Itamaraty disse que não acompanha a ocorrência. “O Ministério das Relações Exteriores e o Consulado do Brasil em Lisboa não foram comunicados pelas autoridades portuguesas sobre o caso nem receberam qualquer pedido de assistência consular de eventuais brasileiros envolvidos ou seus familiares.”