Florianópolis

Em 2017, a taxa de homicídios em Florianópolis alcançou os índices de violência próximos aos registrados no Rio de Janeiro. Naquele ano, a capital catarinense encerrou o período com uma taxa de 38 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto no Rio essa taxa ficou em 32 mortes para cada 100 mil habitantes.

Com mais de R$ 6,4 milhões de habitantes e berço do que hoje se conhece como facções criminosas, a realidade carioca não pode ser comparada com a violência que se dissemina em Santa Catarina ou Florianópolis. Pelo menos essa é a opinião do advogado Alceu de Oliveira Pinto Junior, que nesta terça-feira (20) assume a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina.

“Até mesmo pela história das cidades e pelos seus contextos, são realidades muito diferentes. O espectro do crime em Santa Catarina é outro. A postura das polícias dos dois estados também é outra. Nos moldes do que acontece [no Rio de Janeiro], não tem possibilidade ou necessidade de termos intervenção em Santa Catarina”, disse Alceu.

Por outro lado, ele afirma que o crime organizado e as ações promovidas por facções são questões de dimensão nacional e internacional e que, dentro das suas atribuições, buscará isolar Santa Catarina das rotas dessas organizações criminosas. “Não há fórmula mágica para combater a criminalidade, mas acredito que Florianópolis pode, sim, voltar a ter índices de assassinatos abaixo de 10 pessoas para cada 100 mil habitantes”, disse. Uma realidade há anos impossível para o Rio de Janeiro, que desde os anos 1990 registra taxas altíssimas de mortes violentas.

“Nossa estratégia será buscar formas de tirar Santa Catarina do foco de interesse das organizações criminosas. Analisar se isso está relacionado a rotas, consumo de drogas, escoamento. São esses pontos que vamos buscar atacar. A realidade que vemos hoje em Florianópolis não é definitiva e a cidade tem, sim, condições de voltar aos patamares internacionais”, disse.

Como especialista da área criminal, seja como membro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais ou como coordenador da Univali da Grande Florianópolis, Alceu sempre defendeu uma postura menos violenta e mais inteligente das polícias. Questionado sobre qual postura policial deve ser assumida sob seu comando, disse que a lei será a baliza dos profissionais da segurança no Estado.

“O que esperamos do policial é que ele tenha muito mais formação e informação. A postura será sempre o cumprimento estrito da lei. Quanto mais informação um policial tem, mais efetiva é a sua atuação também”, finalizou.