A Polícia Civil de Goiás prendeu a técnica de enfermagem Elenita Aparecida Lucas Correia, apontada por colegas como a responsável por ter levado um bebê recém-nascido da UTI neonatal da Maternidade Nascer Cidadão ontem (30) em Goiânia. Segundo a polícia, o bebê foi rejeitado pela mãe e deixado na maternidade para cuidados clínicos e para ser encaminhado à adoção.

As autoridades disseram que a técnica em enfermagem transportou a criança dentro de um baú de moto por mais de 30 km a fim de levá-la para a casa de sua tia Elida Correa Dantas, que encaminhou o bebê para uma prima de Elenita e seu marido. Os quatro foram presos. O UOL tenta localizar a defesa dos suspeitos.

Eles serão indiciados por subtração de menor incapaz, segundo informou o delegado do caso, Wellington Lemos. Elenita também responderá pelo crime de ter colocado em risco a vida e a saúde de bebê ao transportá-lo dentro do baú da moto. “Estávamos esperando pelo pior, por talvez encontrar o bebê sem vida. Foi um milagre”, disse Lemos.

A técnica em enfermagem trabalhava no setor ambulatorial da maternidade. “Ela foi até a UTI neonatal, solicitou para pegar o bebê no colo para fazê-la arrotar, aproveitou o descuido de uma das responsáveis, simulou com um cobertor o corpo de um bebê no berço e o levou”, declarou o delegado.

“Ela usou uma espécie de saco de lixo para levar o bebê até o estacionamento. Uma testemunha viu o momento em que Elenita deixou a maternidade carregando uma sacola que parecia estar pesada. No estacionamento, Elenita colocou a criança no baú da moto e a transportou dentro dele por mais de 30 km até a casa da tia”, afirmou.

As enfermeiras responsáveis pela UTI neonatal do hospital perceberam que a criança tinha sumido e procuraram a polícia. Segundo o delegado, Elenita retornou à maternidade após o crime e se apresentou voluntariamente à polícia. Em seu depoimento, alegou que pegou a criança para doar para a prima e o marido porque o casal teria perdido um bebê aos seis meses de gestação da mulher.

No entanto, o delegado ainda apura a versão da técnica de enfermagem. “Ela alegou que agiu de forma impensada imbuída pela comoção da historia da prima. Entretanto, estamos verificando se houve planejamento e premeditação, ou mesmo pagamento ou promessa de dinheiro, o que agravaria o indiciamento e a pena dos quatro envolvidos”, informou Lemos. 

Após o rapto, o recém-nascido foi localizado e recolhido pela Polícia Civil na casa dos suspeitos e deve ser entregue ao Conselho Tutelar. Procurada pela reportagem para comentar o caso e informar quais medidas seriam tomadas em relação ao crime, a Maternidade Nascer Cidadão não se manifestou.