A família da universitária Isabela Miranda de Oliveira, de 19 anos, assassinada pelo namorado – e estuprada por um cunhado – durante uma festa realizada em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, recebeu com alívio a sentença dos acusados pelo crime.

A assistente financeira Luana de Oliveira, tia da vítima, considerou rápido o andamento do inquérito e do julgamento que terminou na madrugada da última sexta-feira (6). Willian Felipe de Oliveira Alves, a 21 anos e sete meses de reclusão pelo homicídio duplamente qualificado – por feminicídio e emprego de meio cruel -, e Leonardo da Silva, sentenciado a 14 anos de prisão por estupro de vulnerável. Ambos cumprirão pena em regime fechado, mas ainda cabe recursos por parte da defesa.

“Achei pouco tempo por toda a barbárie que fizeram com ela. Pelo menos, houve justiça e até que não demorou. Um crime desses não pode ficar impune. Agora, é  esperar pela justiça divina. Dessa ninguém escapa”, ponderou Luana.

Segundo Luana de Oliveira, o relacionamento entre Isabela e Willian havia começado havia cerca de um ano antes do crime e não foi bem recebido por parte da família. Porém, foi aceito pelo pai da jovem.

“Nós, da família, não sentíamos no coração esse namoro com o Willian. Mas, respeitamos a decisão dela. Meu irmão aceitou o namoro. Não o queríamos para ela. Uma menina linda. Ele não tinha nada a ver com ela”, lembrou a tia da jovem.

Luana lamentou a interrupção brutal da vida de Isabela e contou que a sobrinha tinha muitos planos e já iniciava alguns projetos pessoais. 

“Isabela tinha 19 anos, estava cursando faculdade de administração, tinha acabado de pegar a CNH [Carteira Nacional de Habilitação] provisória, estava trabalhando em uma multinacional e cursava inglês. Estava pagando o consórcio do seu primeiro carro. Muitos sonhos ela tinha”, disse.

Crime

No dia 3 de março de 2019, a vítima e o namorado comemoravam o domingo de carnaval, a convite de uma amiga de Isabela, em uma chácara localizada na altura do quilômetro 44 da Rodovia SP 354, no bairro dos Cristais, em Franco da Rocha.

Durante a noite, o grupo criou uma espécie de punição para os participantes de um jogo de dominó: quem perdesse a rodada deveria que tomar uma dose de tequila.

Segundo testemunhas, a jovem havia ingerido grande quantidade de bebidas alcoólicas e o namorado se descontrolou ao vê-la na cama com o cunhado Leonardo. Isabela teve 80% do corpo queimado, foi hospitalizada, mas morreu dias depois. Willian foi preso em flagrante.

Condenação

O juiz do Tribunal de Justiça Rafael Carvalho de Sá Roriz, que presidiu o júri, destacou na sentença a sequência de atos violentos do namorado da vítima e concluiu que a “sua personalidade revelou-se estupidamente violenta, para além do crime em si”.

“Não é possível descurar que a vítima, a que se ateou fogo, estava embriagada, reduzindo ainda mais sua capacidade de resistência ao meio empregado”, escreveu o juiz em referência ao estado de vulnerabilidade de Isabela no momento em que foi atacada.

Já o crime de estupro de vulnerável, cometido por Leonardo, foi considerado pelo magistrado como um ato que desencadeou a fúria do outro, culminando na instauração do pânico e na morte da vítima”, além da agravante da violência contra a mulher. 

Foto: Record TV