Um dia após o assassinato de Smaylin Willian Schappo e do suicídio de Laysa Kaena, em Florianópolis, a sensação ainda é de perplexidade entre os conhecidos dos dois. Na noite desta sexta-feira (17), o corpo de ambos ainda não havia sido sepultado. Eles serão trasladados para as respectivas cidades natais.

A representante comercial, de 33 anos, alvejou o bombeiro militar, de 29. Depois do crime, ela tirou a própria vida. Os fatos ocorreram na noite desta quinta-feira (16), no bairro Ingleses. O motivo, segundo a polícia, foi uma “briga de casal”. Os dois estavam juntos há apenas dois meses.

O crime ocorreu dentro do quarto do bombeiro militar. Laysa estava junto com uma amiga quando discutia com Schappo.

Em certo momento, a gerente comercial disparou contra ele utilizando a pistola 380 que o bombeiro tinha em casa, detalha o delegado Ênio Mattos, da Delegacia de Homicídios de Florianópolis. O corpo dele foi encontrado na cama.

Após a morte de Schappo, a amiga da gerente acionou a central de emergência pedindo ajuda. A gerente comercial estava em choque. Ao chegar no local, os policiais militares tentaram acalmá-la e afastar a ideia de suicídio, mas não adiantou. No jardim da casa, ela sacou a mesma pistola e disparou contra si.

A tragédia se deu com apenas duas balas: um tiro foi suficiente para matar o bombeiro, e outro para tirar a própria vida.

A habilidade de Kaena com as armas era compartilhada nas redes sociais. No seu perfil do Instagram, a gerente comercial, que trabalhava em uma empresa de materiais de construção, tinha publicado 36 vídeos que envolvem treinos, revólveres e compra de armas.

Motivação

Conforme o delegado Ênio Mattos, os dois estavam juntos há apenas dois meses e não tinham histórico de agressão. Ela é natural do Mato Grosso do Sul e morava na Capital catarinense há pelo menos dois anos. Smaylin era natural de São Miguel do Oeste, no Oeste catarinense.

O relacionamento dos dois, se de fato foi assumido, nunca foi divulgado. Smaylin e Laysa moravam em casas diferentes, mas frequentavam a mesma academia.

“Eles tinham um relacionamento que parecia mais de amigos do que de namorados ou qualquer outro tipo”, afirmou um conhecido do casal para a reportagem. Ele preferiu não ser identificado.

Foi nos últimos tempos que os dois passaram a andar mais juntos. Ela se referia ao bombeiro como ‘irmão’, e ele a chamava de ‘parceira’. Nas redes sociais de ambos não há fotos ou menção ao suposto namoro. “Era claro que ambos estavam solteiros”, contou.

O varejista Filipe Limas, que tem uma amizade de quase uma década com o bombeiro, também ficou espantado. “É bem chocante, a gente não entende o que ocorreu”, afirma. Eles se conheciam por conta da relação profissional: Smaylin criou uma marca e revendia roupas.

Despedida

O corpo Smaylin Willian Schappo foi transportado para São Miguel do Oeste, às 17h desta sexta-feira (17). Viaturas do 1° Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar acompanharam o cortejo. No mesmo horário, foi decretado continência em frente aos quartéis.

Schappo, sobrenome que também era apelido de guerra nos quartéis, atuava como bombeiro desde 2006. Ele passou pelo extinto Batalhão de Ratones e pela unidade de Canasvieiras. Nos últimos anos ele atuava no Cobom (Centro de Operações de Bombeiros).

“Era um cara sensacional, sempre de bem com a vida. Ele sempre estava de bom humor, brincando, gostava de balada e festa. Nunca vi um atrito dele no quartel. A morte do Schappo é uma perda para a corporação e para a sociedade”, afirma o amigo e também bombeiro Rodrigo Rosino.

Por volta das 18h30 desta sexta-feira (17), o corpo de Laysa Kaena ainda estava no IML (Instituto Médico Legal). O Instituto aguarda a retirada pela família, que mora em Mato Grosso do Sul, e estima que deva ocorrer neste sábado (18). A reportagem não conseguiu contato com a família da vítima.

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Fonte: NDMais