Guaratuba (PR)

Um médico que atendia no Pronto Socorro Municipal de Guaratuba, no litoral do Paraná, acabou se envolvendo numa confusão na tarde desta segunda-feira (4). Dizendo que não recebia seu salário há 60 dias, o médico, identificado como Rogério Augusto, teria se recusado a atender uma criança durante o plantão, foi denunciado, se irritou e acabou detido por desacato e desobediência.

A confusão começou depois que a mãe da criança denunciou o médico, que disse que não atenderia casos que não fossem graves e de pessoas que “estivessem morrendo”. “Se chegar com febre, eu vou atender. Se chegar grave, vai ser atendido. Só não vai ser atendido consulta de posto como estava sendo feito anteriormente”, teria dito o médico.

Com a chegada da polícia, que foi chamada por conta da confusão no interior do Pronto Socorro, o médico teria continuado a se recusar atender e foi filmado. No vídeo, ele diz que estava há 60 dias sem receber o salário e pedia ajuda da população, dizendo que não era ele o bandido. “Estão me levando preso porque estou querendo receber meu dinheiro. Socorro, socorro, pessoal”, gritava o médico.

Além de pedir socorro, o médico também pediu que as pessoas publicassem o vídeo. “Joga na internet. 60 dias sem receber, olha como tratam médico. Essa é a prefeitura de Guaratuba”, desabafou Rogério Augusto, que foi encaminhado à delegacia. Ele assinou termo circunstanciado e foi liberado.

Médico terceirizado

Em nota, a prefeitura de Guaratuba afirmou que o médico era terceirizado e que não fazia parte dos quadros da Secretaria Municipal de Saúde, nem contratado pelo município. “O médico atende plantões da Operação Verão e foi contratado por empresa terceirizada, que presta serviço ao Cislipa (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná)”, explicou o prefeito Roberto Justus.

A direção do Pronto Socorro Municipal confirmou que o profissional, que estava de plantão desde o começo da manhã, se negou a atender uma paciente no meio da tarde desta segunda-feira. Segundo a nota, “o médico começou a gritar que não iria mais atender ninguém até receber seu pagamento – de responsabilidade do Cislipa e da empresa terceirizada”.