Mirna Graciela
Tubarão

Acompanhada de seu advogado, na condição de indiciada, a mulher de 26 anos mãe do bebê de 6 meses que morreu semana passada, com suspeita de maus-tratos, foi interrogada ontem pela primeira vez, na delegacia de Laguna.
Segundo o delegado Flávio Costa Gorla, a versão apresentada é insuficiente para afastar o indiciamento por maus-tratos. “Isto pela farta prova documental e seu histórico. Ela já foi denunciada no Conselho Tutelar pela avó paterna pelo mesmo crime com outra filha com menos de 12 anos”, revela o delegado.

Ontem à tarde, Gorla recebeu os documentos originais dos exames de corpo de delito e da necropsia. Este último comprova a causa da morte por pneumonia bilateral e o outro atesta lesões no corpo, como costelas quebradas. O exame evidencia que as fraturas são de pancada contra “material contundente”.

O próximo passo é juntar os materiais, anexá-los ao inquérito e encaminhá-lo ao fórum, quando o promotor vai oferecer denúncia e posteriormente o juiz proferir a sentença. “Estamos no prazo, o inquérito foi instaurado no último dia 1º e a lei nos dá 30 dias. É bem provável que enviaremos na próxima quinzena”, informou o delegado.

Em seu depoimento, a mulher mostrou-se muito chocada com as notícias divulgadas a respeito. Chorando muito, reclamou do relacionamento difícil que teve com os médicos do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, pois os profissionais davam a entender que ela teria agredido a criança.
Se condenada, pode pegar de 5 a 12 anos de prisão. Pelo fato da vítima ter menos de 14 anos, a condenação ainda pode ser ampliada.

Mãe alega que costelas podem ter sido quebradas durante a gestação

A menina de apenas 6 meses morreu no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, no último dia 31, com suspeitas de maus-tratos. Ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, não resistiu aos ferimentos e faleceu às 13h38min.

Há três meses, a criança sofria com a situação, segundo a polícia, caracterizada por abuso físico (lesões no corpo), negligência à saúde e abandono. A mãe é natural de Tubarão e mora em Laguna. Aos poucos, o bebê adoeceu. O boletim de ocorrência foi registrado pelo Conselho Tutelar de Laguna, que acompanhava o caso, e chegou à polícia um dia após a morte, na responsabilidade do delegado Flávio Costa Gorla.

Ontem à tarde, o advogado da acusada solicitou toda a documentação para provar a inocência de sua cliente. “Na condição de indiciada, ela pode requerer a produção de indícios para sua defesa”, informou o delegado. Ele ainda contou que a mulher disse ter uma vida muito difícil, sem dinheiro e condição de dar tratamento adequado à criança, e que não recorda tê-la deixado cair (fratura costela), mas que poderia ter sido de um acidente de motocicleta quando estava grávida.