Mirna Graciela
Pedras Grandes

O julgamento dos acusados pelo sumiço de dinheiro de contas-poupança da agência do Besc de Pedras Grandes, no início de 2009, deve ocorrer nos próximos dois meses, na Justiça Federal de Florianópolis, na vara especializada em crimes financeiros. O processo está em fase de alegações finais.

A previsão é do procurador da república da capital, Marcelo da Mota, que apresentou denúncia contra os responsáveis pelo crime. “Não pode demorar mais que isso, porque está em primeira instância, já vai para gabinete. Todos os depoimentos e interrogatórios já foram feitos”, relata o procurador. No ano passado, no segundo semestre, foi feito um pedido de prisão preventiva dos acusados, mas o Tribunal de Justiça não deferiu e eles ganharam o direito de responder em liberdade.

Quatro pessoas serão julgadas pelo desvio do dinheiro. Dois são ex-gerentes do banco, de 47 e 51 anos. As outras duas pessoas acusadas são mulheres, de 34 e 36 anos, ambas parentes de um deles. O homem mais novo responde ao processo por formação de quadrilha, gestão fraudulenta (crime financeiro), apropriação indébita, lavagem de dinheiro e usurpação de função pública.

Este último crime porque ele retornou à agência e simulou ainda trabalhar no banco para alguns clientes. O outro acusado foi enquadrado em quase todos estes crimes, exceto o de usurpação. As duas mulheres respondem por formação de quadrilha, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

Pena criminal
Segundo o procurador da república da capital, Marcelo da Mota, não é possível fazer uma previsão da pena para todos, pois existem, neste caso, muitas variáveis para sua aplicação. “Há muitos detalhes em jogo, como situação pessoal e nível de participação no crime. A pena para lavagem de dinheiro público, por exemplo, pode variar de três a 15 anos de prisão”, explica. Os advogados dos acusados já apresentaram a defesa prévia. Os ex-gerentes chegaram a ser presos, em uma operação realizada pela Polícia Civil, juntamente com outras três pessoas.

Recorde o que houve
Em março de 2009, muitos clientes do Besc – hoje Banco do Brasil – constataram a falta de dinheiro em sua contas-poupança. Aos poucos, os casos foram aparecendo, até ganhar proporções assustadoras. Um grande produtor de fumo da região perdeu os R$ 400 mil que estavam guardados na caderneta de poupança. Os prejuízos atingiram grandes e pequenos investidores. Os ex-gerentes chegaram, na época, a serem presos em uma operação realizada pela Polícia Civil. No entanto, ficaram alguns dias detidos no Presídio Regional de Tubarão e foram liberados.