O julgamento dos réus, acusados por causar o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no dia 27 de janeiro de 2013, inicia nesta quarta-feira (1). Eles respondem por homicídio simples com dolo eventual, quando não há intenção de matar, mas se assume o risco.

Além da acusação pela morte das 242 vítimas fatais, eles respondem também por 636 tentativas de homicídio. Entre às vítimas da tragédia estavam quatro catarinenses. Isabella Fiorini, Thaís Zimmermann Darif, Bruna Karine Occai e Marina de Jesus Nunes residiam na região Oeste de Santa Catarina.

Os réus são Elissandro Callegaro Spohr; Mauro Londero Hoffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentou naquela noite, Marcelo de Jesus dos Santos; e o produtor musical Luciano Bonilha Leão. Eles vão a júri popular no Foro Central de Porto Alegre.

 

Relembre a tragédia

A festa Agromerados marcaria a formatura de cursos como Agronomia, Veterinária e outros da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. Mas o que aconteceu foi uma tragédia, uma das maiores da história recente do país.

No dia 27 de janeiro de 2013, a boate Kiss, casa noturna localizada centro da cidade de Santa Maria (RS), recebeu centenas de jovens para a comemoração. No palco, dois shows ao vivo. O primeiro, de uma banda de rock. Depois, foi a vez da banda Gurizada Fandangueira, de sertanejo universitário. A casa estava lotada: entre 800 e 1 mil pessoas. A boate tinha capacidade para 690 pessoas.

Segundo contou na época o guitarrista da banda, Rodrigo Lemos, o fogo começou depois que um sinalizador foi aceso. Ele disse que os colegas de banda logo tentaram apagar o incêndio, mas o extintor não teria funcionado. Um dos componentes da banda, o gaiteiro Danilo Jaques, morreu no local.

Naquele dia, as faíscas atingiram o teto revestido de espuma. Em instantes o fogo se espalhou pela pista de dança e logo tomou todo o interior da boate. De acordo com os bombeiros, a fumaça altamente tóxica e de cheiro forte provocou pânico.

Ainda sem saberem do que se tratava, seguranças tentaram impedir a saída antes do pagamento. Houve empurra-empurra e apenas alguns conseguiram deixar o local. Muitos que não conseguiram, desmaiaram, intoxicados pela fumaça. Outros procuraram os banheiros para escapar ou buscar uma entrada de ar e acabaram morrendo. Segundo peritos, o sistema de ar condicionado ajudou a espalhar a fumaça. Além disso, um curto-circuito provocado pelo incêndio causou uma explosão.

 

Associação de famílias

O caso comoveu o país inteiro e provocou debates sobre a segurança de casas noturnas e locais de grande aglomeração de pessoas. Em fevereiro de 2013, foi criada a Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, com mais de 28 mil assinaturas, pedindo apoio do Ministério Público para a busca de justiça.

 

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Fonte: O Município