#ParaTodosVerem Na foto, a ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza
A ex-deputado federal Flordelis é acusada de ser a mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo, na época seu marido - Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil | Divulgação

A Justiça do Rio de Janeiro adiou o julgamento da ex-deputada Flordelis dos Santos de Souza, que estava marcado para a próxima segunda-feira (6), para o dia 12 de dezembro. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (3). A ex-deputada é acusada de participação no assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. Esta é a segunda vez que a sessão é transferida. A primeiro ocorreu em abril, quando ela e os outros acusados ainda não julgados sentariam no banco dos réus no dia 13. O pedido de adiamento foi feito pela defesa de Flordelis, sob o argumento da existência de laudos que ainda não foram juntados ao processo e que são imprescindíveis para a defesa dos acusados. Na petição, os advogados da ex-deputada ainda alegou a falta de tempo hábil para analisar outros novos laudos juntados ao processo.

Na decisão, a juíza Nearis Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, afirmou que os advogados de defesa foram orientados a comparecer ao cartório na quinta-feira (2) para obtenção da cópia dos documentos, o que não ocorreu. “Necessário salientar que o conteúdo dos laudos que sequer foram elaborados, por óbvio, não foi acessado pelo representante do Ministério Público ou pela assistência da acusação, assim como deve ser consignado que os patronos das acusadas, apesar de informados pessoalmente por esta magistrada e orientados a comparecerem em cartório na data de ontem [quinta-feira, dia 2] para obtenção das cópias correspondentes aos últimos laudos acostados ao processo em atenção a requerimento das próprias acusadas, deixaram esta serventia sem fazê-lo”, anotou a juíza.

Mesmo assim, a magistrada decidiu acolher o pedido da defesa e adiar o Tribunal do Júri para o fim do ano, a fim de garantir os princípios do contraditório e da ampla defesa. Também foram adiados os julgamentos de Marzy Teixeira da Silva, filha de Flordelis, e de Rayane dos Santos Oliveira, neta da ex-deputada. As defesas dos réus André Luiz de Oliveira e Simone dos Santos Rodrigues, filhos afetivo e biológica de Flordelis, respectivamente, também ajuizaram petições requerendo o adiamento do júri. A advogada de André alegou ter assumido a defesa do réu recentemente, não tendo oportunidade de realizar entrevista privada e individual com o réu. A advogada de Simone informou estar sem condições psicológicas para atuar no júri marcado para 6 de junho em razão do falecimento de um parente próximo. As duas demandas foram atendidas pela juíza, transferindo os julgamentos para a mesma data de Flordelis e os demais.

Acusações
Flordelis é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, e responderá por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. Marzy Teixeira da Silva, Simone dos Santos Rodrigues e André Luiz de Oliveira responderão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada; e Rayane dos Santos Oliveira, por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa armada.

Réus já julgados
Os primeiros réus acusado do assassina do pastor Anderson do Carmo foram julgados no dia 13 de abril de este ano. A juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, titular da 3° Vara Criminal de Niterói, sentenciou o filho biológico da ex-deputada, Adriano dos Santos Rodrigues, a quatro anos, seis meses e 20 dias em regime semiaberto pelo homicídio. O filho afetivo Carlos Ubiraci Francisco da Silva foi condenado a 2 anos e 2 meses, também em regime semiaberto. Ambos já estão em liberdade. Já o ex-policial militar Marcos Siqueira Costa foi condenado a cinco anos e 20 dias de prisão, em regime fechado. A esposa dele, Andrea Santos Maia, teve pena de quatro anos, três meses e 10 dias, em regime semiaberto. O casal, segundo a Justiça, ajudou a viabilizar que uma carta, supostamente escrita por Lucas Cézar dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis e também preso pelo crime, na qual apresentava uma “nova versão” para o crime.

No texto, outros filhos, que não são considerados suspeitos, seriam os reais mandantes. A investigação concluiu que Flordelis teria sido a mentora da carta e que seu conteúdo era falso. Em 24 de novembro de 2021, o Tribunal do Júri de Niterói condenou outros dois filhos da ex-deputada federal. Flávio dos Santos Rodrigues, acusado de ter efetuado os disparos contra a vítima, foi sentenciado a 33 anos, dois meses e 20 dias de prisão em regime inicialmente fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, uso de documento ideologicamente falso e associação criminosa armada. Já Lucas Cezar dos Santos de Souza, acusado de ter sido o responsável por adquirir a arma do assassinato, foi condenado a sete anos e seis meses de prisão em regime inicialmente fechado, por homicídio triplamente qualificado.

Fonte: Agência Brasil e Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
Edição: Zahyra Mattar | Notisul

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