Violentos confrontos entre manifestantes e a polícia foram registrados na sexta-feira em diversos pontos da região metropolitana de Santiago, após a implementação de uma nova logística do governo, que inclui grades de metal e aumento do efetivo policial, para tentar diminuir focos de protestos. Em um dos casos de violência, um jovem foi atropelado e esmagado por dois carros dos carabineros, a polícia militar.

O caso aconteceu na Praça Baquedano, também conhecida como Praça Itália, no centro da capital chilena, por volta das 19h de sexta. Em um vídeo publicado no Twitter pelo Instituto Nacional dos Direitos Humanos (INDH), é possível ver o jovem correndo de um blindado que avançava em sua direção, mas o blindado acaba se chocando com outro veículo policial. Durante a colisão, o jovem acabou sendo prensado pelos dois carros. Segundo o instituto, o jovem sofreu uma fratura de pélvis e está internado em estado estável.

O diretor-executivo para as Américas da organização de direitos humanos Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, criticou a atuação dos carabineros, destacando que o incidente não é um caso isolado.

“De que servem as afirmações sobre Direitos Humanos feitas pelos Carabineros se nas ruas seguem atuando com brutalidade extrema? Os autores e os mandantes da operação devem ser destituídos e sancionados penalmente. Se isso não acontecer, continuarão os abusos”, afirmou em uma publicação no Twitter.

Durante a noite de sexta-feira, diversos manifestantes, principalmente jovens, foram à Praça Baquedano. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água. Depois de quase uma hora, os manifestantes quebraram as cercas de metal e forçaram a polícia a recuar para as ruas próximas.

Os protestos no Chile começaram em 18 de outubro, após o aumento nas tarifas de metrô, mas rapidamente se transformaram em protestos em massa contra a desigualdade e o sistema político chileno. Além de grandes manifestações pacíficas, houve muitos episódios de violência, com incêndios criminosos e saques.

O uso excessivo de força por parte das forças da segurança também foi questionado por diversas organizações. Na semana passada, um relatório indicou que a polícia usou água com gás de pimenta e soda cáustica contra manifestantes em diversos protestos que tomam conta do país há dois meses. Em um documento distinto, a Organização das Nações Unidas apontou na semana passada numerosas alegações de torturas, maus tratos, estupros e outros tipos de violência sexual cometidos pelas forças da segurança contra pessoas detidas, muitas delas de forma arbitrária. Segundo os números oficiais, 28 mil pessoas foram presas, a maioria delas já liberada.

Ao todo, foram documentados 113 casos de tortura e 24 casos de violência sexual contra mulheres, homens e jovens, cometidos por integrantes da polícia e do Exército. Os observadores também afirmam que centenas de queixas foram apresentadas por integrantes da sociedade civil.

Mas, apesar da série de denúncias sobre violações de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança, o presidente Sebastián Piñera enviou um projeto de lei ao Congresso na segunda-feira para reforçar a proteção às forças de segurança do país. Segundo o mandatário, mais de 2.500 policiais ficaram feridos nos protestos, alguns gravemente.

—  Nosso governo, além de repudiar categoricamente todos os abusos de direitos humanos contra nossos cidadãos, também repudia categoricamente a agressão, os maus tratos, a humilhação que afetam com frequência a nossa polícia —  disse ele, ao assinar o projeto de lei.