Rafael Andrade
Tubarão

“O caso que tomou repercussão nacional pode ter o seu desfecho em 20 dias”. A declaração de Cleto Navagio de Oliveira, corregedor da secretaria estadual de justiça e cidadania (SJC), é referente a sindicância aberta contra três funcionários do Presídio Regional de Tubarão.
Ontem, durante oito horas, o diretor afastado do Presídio Regional de Tubarão, Fabrício Buss de Medeiros, e de um agente penitenciário terceirizado foram ouvidos por membros da corregedoria da SJC. Os depoimentos foram tomados na Delegacia Regional de Tubarão.

Os dois servidores e uma agente penitenciária estão afastados dos cargos até que seja concluído o processo administrativo. O trio é investigado por suposta utilização de viatura pública para fins desnecessários e associação ao tráfico. “Os depoimentos foram acompanhados por advogado de defesa. Realizamos tudo com transparência e avaliamos com cautela todos os detalhes e provas materiais”, explica Cleto.

Marcelo Lorega Duarte, membro da corregedoria da SJC, acompanhou os depoimentos e destaca que nada está definido. “Não podemos apontar uma conclusão até o fim das investigações. O processo está bem adiantado”, relata Marcelo.
Fabrício reiterou, durante o seu depoimento de cinco horas, que autorizou os agentes e detentos a irem até Imbituba. “Já revelei antes, tentei ajudar e fui mal interpretado”, lamenta Fabrício.

Lembre do caso

Dois agentes do Presídio Regional de Tubarão, dois condenados por tráfico (conhecidos como Duçula e Zezão), a esposa de um traficante e o filho dele foram detidos na noite de 9 de dezembro do ano passado, na Praia do Rosa, em Imbituba.
De acordo com informações da Polícia Civil, o grupo era investigado por tráfico de drogas, associação ao tráfico e facilitação a detentos, além da utilização de veículos públicos para fins criminosos. O grupo teria tomado cerveja em um bar momentos antes da prisão.

Os traficantes cumprem pena na Unidade Prisional Avançada (UPA) de Imbituba, até que sejam concluídos os processos criminais e administrativos. O processo criminal já está sob avaliação da promotoria do Fórum de Tubarão. A audiência criminal ainda não foi marcada.

Na próxima segunda-feira, os corregedores da secretaria estadual de justiça e cidadania (SJC) retornam a Tubarão. Eles ainda vão tomar os depoimentos da agente investigada, os agentes de plantão do dia 9 de dezembro e outras testemunhas do caso. Os corregedores Cleto Navagio de Oliveira e Marcelo Lorega Duarte pretendem ouvir o proprietário de uma lanchonete na Praia do Rosa, em Imbituba, por onde o grupo teria passado, e outra testemunha, também de Imbituba.