Maycon Vianna
Tubarão

As investigações dos últimos homicídios em Tubarão estão no rumo certo. A garantia é do delegado regional da Polícia Civil, Renato Poeta. Mas especulações de moradores de localidades de ‘risco’ quando o assunto é tráfico drogas, como o Morro do Bem Bom, no bairro São João, e a comunidade do Pantanal, dão conta que mais dois assassinatos ainda podem ocorrer em Tubarão, devido à disputa de traficantes pela posse das chamadas “bocas de fumo”.

A série de crimes na cidade começou com a morte do serralheiro Roge Moreira, 25 anos, no dia 5 de junho. Ele foi morto com tiros à queima-roupa quando estava à beira-rio, próximo à ponte Manoel Alves dos Santos (do Morrotes).
No dia 15 de julho, praticamente no mesmo lugar, a jovem Taiane de Oliveira Espíndola, 20 anos, morreu com um tiro. A investigação levanta a hipótese de que Taiane testemunharia contra o assassino de Roge, por isso teria sido queima de arquivo.

Na seqüência dos assassinatos, um homem de 41 anos foi alvo de criminosos quando saía de casa no bairro São João Margem Esquerda, no dia 20 de julho. Ele levou três tiros, chegou a ser internado no Hospital Nossa Senhora da Conceição, mas não resistiu e faleceu dias depois.

O caso mais chocante foi o da pequena Lohana Gonçalves de Oliveira, de um ano e 11 meses, morta com um tiro na cabeça no dia 27 de julho. O alvo seria o seu pai, Renato Correa de Oliveira, 24 anos, que está em liberdade condicional e tem passagem pela polícia. Na quinta-feira, 31 de julho, o último homicídio registrado em Tubarão.

Fabiano Francisco da Silva, 29 anos, levou seis tiros à queima-roupa em sua casa no Morro do Bem Bom. No mesmo dia, na estrada geral do Bom Pastor, por volta das 16 horas, dois suspeitos de terem cometido o assassinato de Fabiano foram presos em uma blitz da PM.

Provas são averiguadas
Nas investigações feitas pela Polícia Civil de Tubarão, para levantar o máximo de provas que possam chegar aos assassinos, surgem duas vertentes. A primeira é que na série de cinco homicídios possa existir mais de um assassino, possivelmente um ‘matador de aluguel’.

A segunda é que os dois suspeitos presos na quinta-feira passada podem ter ligação direta com a morte de Fabiano Francisco da Silva, ocorrida no mesmo dia. A polícia relata que algumas das vítimas tinham algum tipo de ligação com traficantes. Os crimes possuem a mesma característica: dois homens em uma moto, um deles com uma arma calibre 38 ou uma pistola 380.

Entre as provas mais evidentes levantadas pela polícia está uma toca estilo ‘homem-aranha’ e munições encontradas na casa onde houve uma tentativa de homicídio, no bairro Andrino, duas horas antes da morte de Fabiano. A testemunha da tentativa de assassinato, uma jovem de 18 anos, cujo alvo seria o seu pai, de 44 anos, afirma ter visto a toca azul com desenhos de aranha com um dos criminosos.

Coincidentemente, o mesmo acessório e mais uma pistola 380 foram encontradas com os dois suspeitos, um de 22 e outro de 16 anos, presos no dia 31 de julho pela Polícia Militar na estrada geral do Bom Pastor. O exame de comparação de balística realizado pelo Instituto Geral de Perícia (Florianópolis) deve ser divulgado em breve. De acordo com a polícia, depois disso, será possível ter provas científicas de que a arma utilizada para matar Fabiano Francisco da Silva é a mesma encontrada com os suspeitos detidos.