Rafael Andrade
Capivari de Baixo

A criminalidade não tem fronteiras. Pelo menos é o que boa parte dos quase 350 mil habitantes dos 17 municípios da Amurel avalia. Os homicídios são constantes, ocorrem semanalmente. A última vítima foi o empresário Robson Witt da Costa, 38 anos. Ele foi morto em Capivari de Baixo, às 23 horas de domingo, com quatro tiros que atingiram o pescoço, o braço esquerdo e dois nas costas (região lombar).
O disparo no pescoço atravessou a sua garganta e saiu pela nuca. O seu corpo foi encontrado na rua Doraci Rosa Osório, no bairro Santo André. No local onde Robson foi encontrado, não há iluminação pública nem residências.

Robson estava caído ao lado do seu carro, um Renault Clio prata de Tubarão. Ele era sócio da Lavanderia Labamba, no Farol Shopping. “Ele trabalhava comigo há pouco mais de seis meses e era uma ótima pessoa. Sempre estava de bom humor, porque dizia que a sua família estava feliz. Estamos em choque com o que ocorreu”, lamenta o sócio da vítima, Osvaldo Debiasi.

A advogada Silvana Zardo, presidenta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Tubarão, é irmã de Robson e está inconformada. A Polícia Civil de Capivari de Baixo iniciou poucos minutos após o assassinato as investigações sobre o caso. Os peritos recolheram amostras de sangue, pegadas e outros materiais que possam levar à identificação do autor.

Despedida e números drásticos

A missa de corpo presente do empresário Robson Witt da Costa, 38 anos, morto com quatro tiros na noite de domingo, em Capivari de Baixo, ocorreu na Catedral de Tubarão. Dezenas de amigos e parentes despediram-se de Robson, inconformados com o aumento da violência em nossa região.
O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Tubarão. Ele era natural de Araranguá e estava há muitos anos na Cidade Azul. Ele era divorciado e tinha uma filha de 9 anos.

O assassinato de Robson foi o primeiro registrado em Capivari de Baixo este ano. É o décimo oitavo da Amurel em menos de seis meses. Somente em Tubarão, 11 pessoas foram mortas este ano. A Polícia Civil da região já desvendou seis dos 18 casos.
O delegado Adriano Almeida coordena as investigações sobre a morte de Robson, ainda um mistério para os agentes e para a família. “Ele não tinha inimizade nenhuma, pelo contrário, era bem extrovertido. Era flamenguista doente e gostava de curtir um joguinho com os amigos. Foi um grande impacto a sua morte”, resume o amigo e sócio Osvaldo Debiasi.

A principal hipótese da polícia é que tenha sido um latrocínio (roubo seguido de morte), já que não havia dinheiro em sua carteira e amigos informaram que ele sempre costuma andar com uma pequena quantidade em dinheiro.

Motoboy é morto a pauladas

O motoboy Edson Pedro Marcelino, 24 anos, foi encontrado caído em um matagal próximo ao Hotel Ravena, no bairro Mar Grosso, em Laguna. Assim que as testemunhas aproximaram-se, constataram que ele estava morto. O fato pode ter ocorrido na manhã de sábado. A sua morte ainda é um mistério, mas a Polícia Civil da cidade já trabalha o caso como homicídio.

Foi o terceiro assassinato registrado no município este ano. Jonair Olálio dos Santos, 33 anos, empresário do ramo de construção civil, natural de Mangueirinha (PR), foi baleado com um tiro na cabeça, na estrada Geral da Praia do Gi, no dia 13 de março. Adriano Gazola, 36, conhecido como Buda, foi esfaqueado várias vezes na segunda-feira da semana passada. Ele foi encontrado jogado na beira da lagoa Santo Antônio dos Anjos, no bairro Vila Vitória.

Os três casos seguem sob investigação. O delegado Rubem Thomé coordena os trabalhos. Nenhum suspeito foi preso ainda. Já há um suspeito que deve ser detido a qualquer momento acusado de ter matado Buda. As investigações ainda apontam que a morte de Jonair não ocorreu em Laguna e os assassinos teriam somente dispensado o corpo na cidade para atrapalhar os peritos.

Os peritos encontraram Edson com a cabeça muito machucada e vários hematomas, o que caracteriza o desferimento de pancadas. A sua moto foi encontrada distante cerca de 30 metros do corpo. Edson não tinha passagens pela polícia e, quando acharam o seu corpo, estava sem os documentos. Tudo leva a crer que seja um latrocínio (roubo seguido de morte), mas a polícia não descarta outras possibilidades.