O governo interino da Bolívia emitiu nesta quarta-feira, 18, uma ordem de prisão contra o ex-presidente Evo Morales por “rebelião e terrorismo”. Morales está refugiado na Argentina após abdicar de seu mandato em novembro.

O anúncio foi feito pelo ministro do interior da Bolívia, Arturo Murillo, em novembro, apresentou denuncia de terrorismo contra o ex-presidente. À época, Murillo apresentou áudios nos quais, supostamente, Morales estava dando instruções para que seus apoiadores bloqueassem as estradas do país, impedindo a distribuição de alimentos e combustíveis.

Nas semanas seguintes a renúncia de Evo Morales e na ascensão da senadora da oposição à Presidência, Jeanine Áñez, protestos se espalharam no país e cerca de 30 pessoas perderam suas vidas. Añez havia, por meio de decreto, instituído a imunidade às forças de segurança que cometessem abusos contra os manifestantes em ordem de “pacificar o país”. Morales, por outro lado, denunciou que sua renúncia foi forçada por movimentos golpistas e “fascistas” e o que estava se implementando na Bolívia era uma “ditadura”.

A crise teve início após a tentativa de Morales de conquistar um quarto mandato consecutivo nas eleições do início de novembro. Após uma apuração demorada e cheia de suspeitas e polêmicas, a oposição e o governo entraram em um acordo e solicitaram que a Organização dos Estados Americanos (OEA) auditassem a contagem de votos e sugerissem os próximos passos.

Antes da auditoria da OEA, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da Bolívia deu a vitória a Morales em primeiro turno. Assim que o relatório ficou pronto, a organização recomendou ao ex-presidente que fosse disputado o segundo turno. Morales, por outro lado, optou por anular as eleições e convocar um novo pleito.

No mesmo dia do anunciou da anulação, porém, Morales renunciou e se refugiou na Argentina, onde recebera asilo político do presidente, Andrés Manuel López Obrador. Logo deixou o México, passou por Cuba para realizar exames médicos e se instalou na Argentina após a posse do presidente peronista, Alberto Fernández, que lhe concedeu o status de refugiado.

Morales vive agora em uma cidade que faz fronteira com a Bolívia e espera dali comandar a campanha eleitoral de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), para as próximas eleições marcadas para o primeiro semestre de 2020.