Um tiroteio durante assalto na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, deixou um vigilante e uma estudante baleados na manhã desta segunda-feira (1º) no campus Bodocongó. Outros alunos ficaram feridos devido ao tumulto e, ao todo, 14 pessoas foram levadas para o hospital.

Até as 16h, nenhum dos suspeitos que participaram do assalto foi preso. Segundo a Polícia Militar, os criminosos entraram no local fingindo serem estudantes. Um dos assaltantes portava um fuzil dentro de um “case” de violão.

A assessoria de imprensa da universidade informou que um grupo armado chegou em dois carros e assaltou um carro-forte que levava malotes de dinheiro para uma agência bancária localizada na Central de Integração Acadêmica. Os criminosos conseguiram fugir levando malotes de dinheiro e uma arma de um dos vigilantes. Ainda não há informações da quantia roubada.

Ainda de acordo com a assessoria, os estudantes e funcionários ouviram os barulhos de tiros e explosão. Alguns alunos correram do local e outros se esconderam em salas de aula e auditórios. Por causa da correria, houve feridos, que precisaram ser atendidos pelo Corpo de Bombeiros.

A polícia foi acionada e chegou minutos depois do crime. De acordo com a PM, o segurança da agência baleado foi atingido com um tiro na perna. Outro segurança foi atingido com um disparo, mas não ficou ferido devido ao colete protetor.

Ação dos criminosos

Segundo o comandante do 2º Batalhão de Campina Grande, tenente-coronel Damasceno, os assaltantes chegaram na UEPB antes das 10h e ficaram pela central de aulas esperando a chegada do carro-forte que iria abastecer os caixas eletrônicos do banco Santander, localizado no térreo do prédio.

Conforme o comandante, quando os vigilantes do carro-forte desembarcaram com o malote de dinheiro, os criminosos anunciaram o assalto e os vigilantes do carro-forte e da agência bancária reagiram, dando início ao tiroteio.

Os criminosos fugiram do local em um carro cinza e levaram um vigilante como refém, mas o liberaram próximo ao Parque de Bodocongó.

Alunos temiam massacre

Os alunos da CIA estavam em aula quando tudo aconteceu. No momento dos disparos, muitos não entendiam o que estava ocorrendo. Alguns alunos suspeitaram de assalto, mas muitos lembraram do massacre que ocorreu março deste ano, em uma escola em Suzano, em São Paulo. O desespero fez alunos se machucarem tentando fugir do local.

“Os bandidos chegaram. Houve o estouro (tiro) e a gente não soube o que aconteceu de início. A gente pensou que de fato fosse uma encenação, por causa de um evento que está tendo na UEPB. Só que a gente viu a correria. E quando a gente viu isso todo mundo saiu correndo. A gente ouviu muito tiro e pensou que era o que tinha acontecido na escola, em Suzano”, disse o aluno Adriano Santos.

“No primeiro tiro ficou todo mundo parado, depois vieram os outros e aí todo mundo se desesperou. A gente estava no auditório. Fechamos a porta e desligamos as luzes, pra não chamar atenção, pois lembramos do caso de Suzano. A gente ficou com medo de ser um massacre”, disse a estudante Renata Jordão.

No desespero para fugir, alunos se machucaram. Harley Albuquerque pulou da varanda do primeiro andar do prédio da UEPB. “A gente ficou muito assustado e pulou de todo jeito. Meu amigo caiu de costas eu cai de joelho. A gente saiu correndo pra ficar escondido até alguém dizer que parou”, disse ele.

Aulas suspensas

Após a troca de tiros, o prédio da Central de Integração Acadêmica foi evacuado. O reitor da instituição, Rangel Junior, suspendeu todas as atividades do campus Bodocongó durante esta segunda-feira (1º).

De acordo com a assessoria da UEPB, nunca houve nada semelhante na universidade e não é possível evitar casos como esse porque a instituição contrata segurança patrimonial, não segurança pública.

“A segurança na área onde o assalto aconteceu é de responsabilidade da agência bancária. A medida da instituição foi suspender todas as atividades do campus durante esta segunda. A universidade se preocupou em dar assistência e apoio psicológico aos alunos, além do atendimento médico”, informou.