Amanda Menger
Tubarão

A sexta fuga de adolescentes no Centro de Internamento Provisório (CIP) de Tubarão foi registrada sábado. Desde fevereiro, foram seis fugas: duas ocorreram durante a administração da prefeitura, uma durante a intervenção do estado e outras três com a Organização Não Governamental (ONG) Oficina de Arte Comunitária (Odac). O motivo é os problemas estruturais.

“Os adolescentes fugiram pela tela de proteção do pátio. O prédio apresenta problemas na parte elétrica, hidráulica, e de proteção. Nem computadores nós temos. E isso cabe ao estado fornecer”, explica o presidente da Odac, Marcone Ribas.
O pátio da instituição não possui grades na parte de cima, apenas telas, e estão enferrujadas. “Do jeito que está, se puxar a tela, cede. Para evitar outros problemas, fizemos alguns remendos e reforçamos com arame farpado. Mas é preciso rever toda a instalação”, diz Marcone.
Com a fuga deste fim de semana, há 16 internos, enquanto a capacidade do prédio é para 12. Os dois que fugiram têm 16 e 17 anos e são de Araranguá e Criciúma, respectivamente.

Para melhorar a estrutura, é preciso que a secretaria estadual de segurança pública (SSP) autorize a reforma. “Já temos orçamentos da parte elétrica, hidráulica, de serralheria e outras coisas que precisam ser feitas. Para isso, não será preciso tirar os adolescentes daqui, podemos trabalhar enquanto os reforços são feitos. Acredito que ainda esta semana teremos uma resposta positiva sobre as obras”, observa Marcone.

Convênio com ONG ainda não foi assinado

A administração do Centro de Internamento Provisório (CIP) de Tubarão passou de um convênio entre o estado e a prefeitura para um convênio entre o estado e uma Organização Não-Governamental (ONG). Contudo, o contrato de parceria com a ONG Oficina de Arte Comunitária (Odac) ainda não foi firmado. Depois de assinado, o termo precisa ser publicado no Diário Oficial do Estado.

“Estamos aguardando a oficialização. Enquanto isso não ocorre, o nosso pessoal está em treinamento. Nós já administramos o CIP de Caçador e a Casa de Semiliberdade de Capivari de Baixo e fomos convidados para assumir em Tubarão. Já trabalhamos com o estado há 14 anos e a ONG existe há 17 anos. Temos experiência em ressocialização de adolescentes”, afirma o presidente da Odac, Marcone Ribas.

Além do convênio não oficializado, o estado precisa indicar um novo coordenador. “A ocupação deste cargo é por indicação da secretaria estadual de segurança pública (SSP). A pessoa indicada antes saiu e o interventor, Celso Ricardo de Souza, reassumiu por alguns dias e voltou para Florianópolis. Disseram que o novo responsável assume amanhã (hoje). Vamos aguardar”, diz Marcone.

A ONG é responsável pela alimentação dos adolescentes, pagamento dos funcionários e oferta das oficinas. No caso da ONG, a ressocialização é feita por meio de oficinas artísticas, terapêuticas e laborais. “São atividades variadas como teatro, pintura, cerâmica e informática. Acreditamos que, após a readequação do espaço físico, poderemos começar as oficinas e, em agosto, deveremos realizar os primeiros trabalhos”, anuncia Marcone.