Amanda Menger
Tubarão

Aos 23 anos, o paraense Tiago Dante Pereira morreu de forma trágica. Ele caiu do telhado da fábrica Gelox, no bairro Humaitá de Cima, em Tubarão, bateu em uma máquina de torno e morreu. O jovem teve politraumatismo e hemorragia interna. O corpo foi encontrado às 7h30min de ontem, mas acredita-se que a queda tenha ocorrido às 23h30min de quarta-feira.

Ele era suspeito de ter cometido dois furtos em residências. Uma delas no segundo andar da loja da Gelox. A dona do apartamento, Fabíola Medeiros Ferreira, brincava com a filha no quarto quando viu a bolsa ‘se mexer’. “Na hora, ela achou que fosse o marido. Mas foi procurá-lo e não encontrou, assim como a bolsa, R$ 140,00 que estavam em cima de um balcão e um óculos de sol. Aí , chamou a Polícia Militar e me ligou”, conta o proprietário da Gelox e pai de Fabíola, Luiz Carlos Locks Ferreira.
O empresário recomendou à filha que fosse descansar e que no outro dia fizesse o boletim de ocorrência. “A PM veio rápido, fez rondas, mas não encontrou nada. Disse a ela que não se preocupasse, porque dinheiro se recupera, pior se ele tivesse feito alguma coisa para ela ou para a menina”, relata Luiz Carlos.

Ontem pela manhã, o empresário foi acordado por um dos funcionários, que o avisou do corpo na ala de solda. “Na hora, lembrei do furto no apartamento da minha filha. Talvez, ao ouvir as sirenes da PM, ele tenha ficado nervoso e fugido pelo telhado da fábrica, que fica ao lado da loja, não viu que a telha era de plástico e caiu”, acredita o empresário.
Fabíola reconheceu os objetos furtados. Além disso, a PM encontrou com o jovem celulares e carregadores de bateria. Suspeita-se que até as roupas que ele utilizava tinham sido furtadas.

“Não sei se dá raiva ou pena”, diz Luiz

A quinta-feira seria mais um dia de trabalho para o soldador Ronaldo Fogaça. O que ele não contava é que, ao chegar na Gelox Refrigeração, encontraria um corpo no chão. “Um outro colega até achou que fosse um funcionário da fábrica, mas chegamos perto e vimos que não era conhecido. Então, chamamos a Polícia Militar e ligamos para o dono (Luiz Carlos Locks Ferreira)”, conta Ronaldo.
Ao se deparar com a situação, o empresário diz que teve diversos pensamentos. “Senti raiva, mas depois me deu pena, porque ele deve ter família também, pai, mãe. É uma situação triste”, declara Luiz Carlos.

Mas o que leva um jovem a se envolver com o mundo do crime? Para o presidente do Conselho Municipal de Segurança, vereador Maurício da Silva (PMDB), três fatores são determinantes. “Digo que vivemos hoje o flagelo da juventude. E isso é causado pela escolarização tardia e ineficiente. Tardia porque nem todos têm acesso à educação infantil, que é importante para a socialização da criança. Além disso, não dispomos de áreas públicas para as práticas esportivas, de lazer e de cultura. E um terceiro fator é que os jovens não podem trabalhar antes dos 16 anos ou serem aprendizes antes dos 14, assim, muitos ficam ociosos”, observa Maurício.

O vereador defende a flexibilização da legislação trabalhista. “E também temos que conseguir mais recursos para a educação infantil e para as escolas em tempo integral. Temos que tornar pública a discussão para estas mudanças da Constituição Federal, só assim vamos evitar que mais jovens percam-se. Temos que trabalhar na causa e não só nas consequências”, propõe Maurício.

Rapaz tinha passagens por furtos

O histórico do jovem encontrado morto na fábrica da Gelox, em Tubarão, ontem pela manhã, é composto por várias passagens policiais. “Ele é um conhecido da polícia. Antes de cair do telhado, tinha realizado dois furtos. Quando ficamos sabendo do caso, até achamos que tivesse sido o Homem-Aranha, mas era outra pessoa, com um modo de atuação semelhante”, relata um policial militar.

O referido Homem-Aranha já foi preso diversas vezes pela PM por furtos em Tubarão. Ele costuma, assim como o personagem dos quadrinhos, escalar muros, edifícios e telhados para praticar os seus crimes. No ano passado, uma série de furtos em residências foi registrada na cidade. Em vários deles, a altura dos apartamentos não foi empecilho para o ladrão. “O modo de atuação deste jovem que encontramos morto é parecido. Para furtar no apartamento que fica em cima da loja da Gelox, ao lado da fábrica, ele usou uma escada. Entrou pela sacada e furtou uma bolsa, R$ 140,00 e um óculos de sol Rayban. Ao conferirmos a identidade dele, percebemos que ele não é de Tubarão, mas vinha praticando os crimes aqui. Ele tem passagens por furtos e também por roubo a mão armada”, conta um PM.