Carolina Carradore
São Ludgero

O policial militar Marcos José Teixeira Leite Sobrinho, 45 anos, já participou de várias ações durante os 25 anos de carreira, mas nenhuma marcou mais a sua vida do que a ocorrência que atendeu junto com colegas de Braço do Norte e São Ludgero, na madrugada deste sábado. Após uma manobra arriscada, cabo Teixeira conseguiu salvar a vida de um menino de três anos. A criança ficou por mais de uma hora refém do próprio pai, que o ameaça com um facão.

Segundo informações da polícia de Braço do Norte, o agricultor de 38 anos, começou a agredir a esposa dentro de casa, localizada no bairro Dona Jordina, na saída de São Ludgero. A companheira conseguiu escapar da fúria do marido, que tentava mata-la com um facão.

A mulher, porém, não conseguiu pegar o filho, que virou refém do pai. A polícia da cidade foi acionada pelos vizinhos. Os colegas militares de Braço do Norte foram chamados para auxiliar.

Foi aí que entrou em cena o cabo Teixeira, que responde pela corporação da cidade vizinha. “A mãe estava desesperada. Ele tinha dito que se alguém chamasse a polícia, mataria o filho. Então, agimos de uma maneira que ele não visse nenhum policial”, detalha o militar.

Uma vizinha chegou a entrar na residência para tentar convencer o agricultor a devolver a criança. Saiu de casa sem sucesso e informou à polícia que o homem estava sentado na cama, com o filho no colo. Em uma das mãos segurava um facão, atravessado no pescoço do filho.

“Minha vida e a do menino ficaram por um fio”
O cabo da Polícia Militar, Marcos José Teixeira Leite Sobrinho, foi o responsável por salvar a vida de um menino de três anos. A criança foi feita refém pelo próprio pai, em São Ludgero, na noite deste sábado. A maneira como o policial agiu para dar um desfecho positivo a situação é digno de honrarias. O pai estava sentado na cama, com o filho no colo e um facão atravessado em seu pescoço.

Cabo Teixeira ficou encostado em uma parede sem que o homem. Disse que era um amigo que queria lhe ajudar”, detalha o PM. Com equilíbrio e paciência, Teixeira conquistou a confiança do homem e o convenceu de sair do quarto e de encontrar-lhe na cozinha. Ao saber que conversava com um policial, o pai ameaçou mais uma vez matar o menino, mas Teixeira conseguiu manter uma linha de conversa mais calma, a uma distância de cerca de cinco metros do pai.

Após mais de meia hora de diálogo, o homem estava cansado e agachou-se. Teixeira estava na mesma posição. “Foi uma estratégia para ver se tinha algum ângulo que poderia agir. Eu sabia que ele estava cansado e pensei que se ele levantasse, talvez eu teria uma chance”.

E a estratégia deu certo. O pai levantou-se e segurou o menino mais firme, mas por alguns segundos baixou a mão que segurava o facão. Foi a deixa para que o cabo Teixeira arrancasse a criança dos braços do pai. “Calculei que o que poderia ocorrer era ele ferir minhas costas com o facão. O pai ainda tentou enforcar o menino com as mãos e me ferir. Nossas vidas ficaram por um fio, mas deu tudo certo”, comemora o policial.

Em seguida, o agricultor foi preso e levado para a delegacia de Braço do Norte. Ele será encaminhado hoje ao Presídio Regional de Tubarão.

Herói
A atitude do cabo Marcos José Teixeira Leite Sobrinho foi um dos assuntos do fim de semana em São Ludgero. Colegas de trabalho e vizinhos da casa onde o pai manteve o filho de refém, agradeciam e elogiavam a atuação do PM. Teixeira conta que ainda recupera-se do abalo emocional.

Casado, diz que só pensava nos três filhos. “Eu sabia que só tinha 20% de chance de tirar o menino vivo. Era muita tensão. Só pensava nos meus filhos. Quando tirei a criança e entreguei-a à mãe, a única coisa que consegui fazer foi chorar”, recorda.