Tubarão

A família do empresário Patrício Siqueira, encontrado por com dois tiros em seu escritório, em abril do ano passado, nega que ele tenha se suicidado. Patrício era de Imbituba e morava há anos em Barra do Ribeiro (RS), onde tinha uma empresa de arroz.

O empresário era apontado como testemunha no processo da Campeiro, de Tubarão, que decretou falência em 2009. Na época, especulou-se que o crime teria sido uma “queima de arquivo”.
A Polícia Civil de Barra do Ribeiro entregou o inquérito do crime há poucos dias, onde ficou estabelecido que o crime foi forjado por Siqueira, a fim de garantir à sua família um seguro de R$ 1 milhão. A investigação apontou ainda que ele estava com depressão e problemas financeiros. Seus parentes negam. Para seu irmão, Paulo Siqueira, o inquérito do delegado Luis Ricardo Bykowski é distorcido.

“Temos os laudos da perícia do corpo, feitos 18 dias após meu irmão ser enterrado. Estes documentos atestam que os dois tiros no coração foram disparados a dois metros dele. Além disso, não foram descobertos vestígios de pólvora em suas mãos”, defende Paulo.

O irmão afirma ainda que o seguro foi feito há muitos anos e não meses antes de sua morte, como apontado no inquérito. “Ele não passava por crise financeira. Até herdamos uma fazenda, no valor de R$ 4 milhões. Além disso, temos outros bens”, argumenta Paulo.

A investigação atesta que, no dia do crime, a empresa não foi arrombada, não havia ninguém no momento dos disparos e as portas estavam trancadas. Para o delegado Bykowski, o fato de o empresário ter utilizado uma pistola semiautomática explica os dois tiros, o que é incomum em suicídio.

Relembre o caso
Quando a Campeiro decretou falência, 130 funcionários foram demitidos. A dívida ultrapassa os R$ 40 milhões. Os problemas financeiros teriam sido causados por fraudes. A empresa contraía empréstimos em vários órgãos e dava como garantia o mesmo produto. O esquema teria sido comandado pelo ex-administrador, Alexandre Tavares.