Um bebê de três meses teve a morte cerebral confirmada no início da tarde desta quinta-feira (21). Ele teria sido espancado por um casal de cuidadores no município de Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A informação foi confirmada por familiares.

O pequeno estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Joana de Gusmão, em Florianópolis, após ser transferido devido à gravidade do seu estado de saúde.

Ainda na quarta-feira (20), a família recebeu a informação sobre o início do protocolo de morte cerebral, o que foi encerrado no fim da manhã desta quinta após novos exames. A informação não foi confirmada pela direção do hospital em razão da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A mãe da criança acompanha os trâmites em Florianópolis. Já o pai do bebê está em Boa Vista, em Roraima, e tenta viajar para Santa Catarina. O corpo deve ser transferido para Caçador onde mora a família.

 

Violência

Os cuidadores, de 19 e 21 anos, foram presos em flagrante na última segunda-feira (18) suspeitos de agredirem fisicamente o bebê. A criança deu entrada na emergência do Hospital Maicé, em Caçador, com diversas lesões pelo corpo e com parada cardiorrespiratória.

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Fabiano Locatelli, o estado de saúde do menino era considerado bastante grave. O casal era responsável por cuidar do bebê enquanto a mãe trabalhava.

Eles recebiam um valor mensal para cuidar do bebê e não mantinham nenhuma relação de parentesco com a vítima. “A mãe do menino é venezuelana. O pai também, mas mora em outro estado”, informou o delegado.

Ela contou que deixou o filho com o casal por volta das 10h20 e que recebeu uma ligação às 14h. Na conversa, a suspeita contou que levou o bebê para o Hospital Maicé, pois ele estaria com dificuldades para respirar.

 

Laudo pericial

A Polícia Civil informou que o laudo pericial elaborado pelo médico legista apontou a existência de lesões cerebrais e corporais compatíveis com a prática de “shaken baby”. A prática é conhecida como a síndrome do bebê sacudido, que ocorre quando um adulto chacoalha o bebê de forma agressiva causando graves danos cerebrais.

O laudo também apontou lesões no rosto, na cabeça, costas e nádegas. Ainda conforme o delegado, a investigação também identificou que o casal cuidava de outras crianças, mas não há informações de outras vítimas.

 

Prisão preventiva

O homem de 21 anos e a mulher de 19 anos foram presos em flagrante. Ele foi levado ao Presídio Masculino de Caçador, e a mulher, ao Presídio Feminino de Chapecó. A prisão foi convertida pela Justiça em prisão preventiva.

O caso segue sendo investigado. O casal foi indiciado pela prática do crime de lesão corporal de natureza grave, com a incidência de dispositivos da lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), aprovada no último dia 24 de maio, criando mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.

 

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Fonte: Sulinfoco