Aprovado no ano passado pelos moradores da localidade de Santana, em Urussanga, o Memorial ao Mineiro foi instalado nesta semana. A iniciativa homenageia os 31 mineiros que perderam suas vidas há 36 anos na terrível explosão ocorrida dentro do painel seis, a 80 metros de profundidade, na extinta mina de carvão da CCU.

Uma homenagem foi promovida ontem (10) pela comunidade com orações, lembranças e contação de histórias. Os moradores ainda sofrem e mantêm viva a história de cada um dos mineiros que partiu no fatídico acidente.

O memorial é de pedra, com uma placa fixada, jardinagem e um canteiro onde foram plantadas 31 rosas em menção às vítimas.

Um dos sobreviventes
Para Salézio Donato Velho, um dos sobreviventes do acidente, o memorial é uma espécie de acalento para a dor que dura por longos 36 anos. “Sempre pedi por este monumento, é uma forma de lembrar nossos amigos que partiram. De algum jeito, me traz um pouco de paz no coração. Finalmente foi edificado”, disse com a voz embargada pela emoção, e expressou com um aceno que não conseguiria mais falar.

Maria perdeu seu irmão e relata a angústia vivida naquele dia
Maria Raquel dos Santos Leopoldo, irmã de Ronaldo (morto no acidente), lembra da angústia dos momentos que antecederam ao resgate dos mineiros. “Soubemos da notícia, mas as informações eram desencontradas. Diziam que estavam só intoxicados. Então saímos em busca pela doação de leite. Porém, a confirmação foi outra e a tristeza tomou conta de todos nós, do bairro, de toda a cidade. Uma dor lembrada e vivida todos os anos, mas a vida precisa seguir e este memorial demonstra o respeito e o carinho por aqueles que perderam suas vidas naquele trágico acidente”, relata.

Ela também destaca que três de seus irmãos poderiam ter perdido a vida na tragédia, o que ocorreu porque houve troca de horário com colegas.

Relembre como foi a explosão
Era uma segunda-feira, 10 de setembro de 1984. A equipe de mineiros escalada para o primeiro turno de trabalho na Mina Santana, da extinta Companhia Carbonífera de Urussanga, havia acabado de descer para o subsolo. Por volta das 5h houve a explosão. Todos os 31 trabalhadores do painel seis, que estavam a 80 metros de profundidade, morreram.

O acidente se tornou um marco para a normatização da atividade. Na época havia muito mais trabalho (eram quase 13 mil mineiros e a indústria produzia o dobro do que atualmente) e quase não existiam regras. A extração do carvão era manual, usava-se explosivos e não havia sequer a proibição de fumar na mina.

Causas
As causas da explosão nunca foram, de fato, esclarecidas. Perícias feitas na época indicaram acúmulo de gás metano (um gás inflamável, presente na camada de carvão, que em determinada quantidade causa explosões).

A situação pode ter agravado por falta de ventilação na mina devido à queda de energia ocorrida na véspera do acidente, o que pode ter comprometido o funcionamento dos exaustores que carregam o ar da superfície para o subsolo.

Mortes
Os mineiros morreram por asfixia e queimaduras. Nos dois primeiros dias de resgate, segundo consta em publicações da época, todos os que se aproximaram da mina deixaram o local intoxicados. A operação para a retirada dos corpos foi encerrada cinco dias depois do acidente e reuniu bombeiros de Criciúma, Itajaí, Florianópolis e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

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