Rafael Andrade
Tubarão

Foram quase nove horas de depoimento e a mãe do menino de 1 ano e 11 meses estuprado e que não resistiu aos ferimentos no ânus e órgãos vitais e morreu no último dia 12 foi presa. Da delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Idoso, a mulher, de 34 anos, foi levada direto para o presídio, nesta sexta-feira. O padrasto do bebê, de 35 anos, também deve ser preso.

A mãe chegou por volta das 8 horas à delegacia, e ficou até 21h30min. Após ouvir com detalhes o depoimento, o delegado Jair Tártari, responsável pelo inquérito, pediu a prisão preventiva do casal, por volta das 17 horas. Às 20 horas, o promotor Álvaro Pereira Oliveira Mello deferiu o pedido e encaminhou o processo ao juiz de plantão. E às 20h45min a juíza Sônia Eunice Odwazny deferiu o pedido.

A acusada fica um dia (este sábado) na cela de triagem e se juntará às outras 50 detentas domingo, em um espaço de seis metros quadrados. Apesar de ter curso superior – é psicóloga -, ela deverá ficar na cidade pelo menos até o julgamento – que pode ocorrer após mais de um ano. Ela tem direito de cela especial, mas o sistema prisional de Santa Catarina não dispõe de tal regalia, a não ser na Polícia Federal.

O padrasto da criança, acusado do estupro, deve ser preso a qualquer momento. Ele está em Florianópolis e já é considerado um procurado pela justiça. Policiais civis de Tubarão pediram apoio à equipe da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) da capital ainda na noite desta sexta-feira para efetuar a prisão do homem. Ele prestou depoimento quinta e deixou a delegacia sob forte aparato policial para não ser linchado, após três horas de depoimento. Imediatamente, o seu advogado, André Mello Filho, o encaminhou para casa de parentes em Florianópolis.

Confusão na delegacia
A saída da mãe do bebê de 1 ano e 11 meses da Delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Adolescente na noite desta sexta-feira foi muito tumultuada, como ocorreu na quinta-feira, na saída do padrasto. “Fiquei sete horas aqui só para ter o gosto de olhar para ela e chamar de assassina”, conta a dona de casa Elda Régis Gomes.

12 a 30
anos de prisão em regime fechado. Esta é a pena que cada um – a mãe e o padrasto – pode pegar caso sejam condenados. O delegado Jair Tártari os enquadrou, a princípio, no artigo 217 A do Código Penal Brasileiro. No entanto, ainda poderão ser enquadrados por maus tratos, negligência de guarda familiar e até mesmo por homicídio doloso (com intenção de matar).

Casal ainda é acusado de usar a criança para transportar cocaína

Uma hipótese levantada e confirmada pela polícia nesta sexta-feira é que houve a introdução de um instrumento mecânico no ânus do bebê de 1 ano e 11 meses com finalidade de transportar cocaína.
A criança pode ter sido usada por várias vezes para o transporte de drogas, conhecida popularmente como “mula”.

A suspeita foi levantada há uma semana, após terem sido comprovadas lesões gravíssimas profundas na região anal da criança e por ter sido encontrada cocaína na sua urina. Além disso, alguns órgãos internos como o intestino grosso estavam necrosados (tecido morto ou em decomposição). O casal utilizava a técnica de “mula” possivelmente para despistar qualquer flagrante em uma abordagem policial, já que costumavam viajar muito com a criança.