Mirna Graciela
Curitiba
 
A viagem de um grupo com destino a cidade de São Paulo, especificamente à rua 25 de Março, virou um pesadelo. O ônibus foi interceptado por criminosos. Com uma metralhadora e uma pistola nove milímetros, eles entraram, atiraram para cima e anunciaram o assalto.
 
Os passageiros foram rendidos e alguns agredidos fisicamente. A ação dos bandidos ocorreu em um trecho de uma rodovia estadual de Curitiba (PR), em um local onde o trânsito está lento em função de obras.
 
Dentro do veículo havia comerciantes de Criciúma, Içara, Jaguaruna, Tubarão e Florianópolis. O motorista foi obrigado a mudar a rota, em direção ao município de Araucária.
 
“Estamos todos traumatizados, foram cenas de terror”, lembra o vendedor autônomo Daniel Stangherlin, de 36 anos, de Criciúma, cidade de onde o ônibus partiu nesta segunda-feira. Eles chegaram em Santa Catarina ontem, por volta das 8 horas.
 
Conforme Daniel, a pressão psicológica foi imensa. “Tudo que exigiam entregávamos, mas queriam mais. Não consigo tirar aquelas imagens da cabeça”, desabafa o vendedor.
 
Depois de Araucária, o ônibus seguiu para Campos Novos, outro município da região metropolitana de Curitiba, e pegou uma estrada de chão. Quando parou, os assaltantes ordenaram que todos tirassem as roupas.
 
Foi quando trancaram as vítimas – cerca de 20 pessoas – com apenas peças íntimas – no bagageiro.
 
Os bandidos fizeram a última revista entre as poltronas e encontraram mais dinheiro. “Ficamos ali por uns 30 minutos, não aguentávamos mais o ar pesado. Fomos ameaçados de morte caso ouvissem barulho, Depois, quando saímos, eles tinham ido embora.” desabafa Daniel. 
 
Como os vendedores conseguiram ajuda
  Os comerciantes assaltados em uma rodovia estadual de Curitiba (PR), com destino a cidade de São Paulo, ficaram quase quatro horas em total desespero. Alguns foram torturados – ao menos três pessoas – psicológica e fisicamente.
“O guia turístico e duas mulheres apanharam no rosto, levaram tapas, pois os bandidos diziam que mentiam”, lamenta o vendedor autônomo Daniel Stangherlin, de Criciúma. Foi ele quem ligou para a polícia. 
 
Uma sacola com os celulares dos passageiros foi esquecida pelos criminosos. Mas, no lugar em que as vítimas foram abandonadas, em uma plantação de arroz, não tinha sinal. E quando conseguiram, não sabiam dizer à polícia a sua localização. 
 
“Caminhamos uns três quilômetros até encontrar a rodovia. Paramos uma carreta e o caminhoneiro disse onde estávamos. Com a chegada da Polícia Militar, um trator foi acionado para retirar o ônibus da plantação de arroz.
 
 Foram roubados cerca de R$ 45 mil dos vendedores, além de praticamente todos os pertences pessoais. Havia quatro pessoas de Tubarão, uma de Jaguaruna, um casal de Florianópolis e o restante era de Criciúma. 
 
 Segundo Daniel, a cena era lastimável porque algumas pessoas chegaram em suas cidades enroladas apenas em toalhas e outras somente com peças íntimas. “Estou nessa rotina há uns quatro anos e nunca passei por isso. Ouvíamos falar que naquela região existem alguns trechos perigosos. Foi constrangedor e um terror, não quero passar isso nunca mais”, espera o vendedor autônomo.