Após cumprir sete mandados de busca e apreensão, o delegado Ulisses Gabriel, da Delegacia de Polícia Civil de Orleans falou sobre as investigações da Apae de Lauro Müller. As investigações iniciaram para apurar as suspeitas de crimes sexuais contra duas alunas da associação.

Durante as apurações da Polícia, o presidente da Apae, identificado como J. E. M., estava tentando dificultar o trabalho dos policiais. “O delegado Márcio Maciel, da comarca de Lauro Müller, instaurou um inquérito policial para apurar esses crimes sexuais contra duas alunas. Diante dessa situação, o presidente da Apae, hoje afastado, iniciou algumas situações e teve algumas atitudes para embaraçar o trabalho investigativo. Então o Ministério Público (MP) de Lauro Müller requisitou à Polícia Civil para apurar essas condutas”, explica o delegado Ulisses.

Com o pedido do MP, os policiais iniciaram as investigações sobre possíveis ações de coação do presidente da Apae. “No decorrer do trabalho investigativo, de fato havia indícios dessa coação, para evitar que testemunhas levassem ao conhecimento do MP os possíveis crimes sexuais, porque o presidente não queria que a Apae fosse exposta numa circunstância como essa. Todavia, o fato teria que ser apurado, mesmo que ocorresse uma exposição da Apae”, fala Ulisses.

Além da coação, a Delegacia de Polícia de Orleans ainda constatou outros crimes, como peculato, praticado pelo presidente e funcionárias da Apae. “Constatamos pelas investigações que havia um indicativo de que o presidente da Apae abastecesse o seu veículo particular para uso particular e também levasse para sua casa marmitas da Apae, para ele e sua esposa. Também constatamos que ele teria recebido em uma oportunidade medicação controlada e repassado para uma pessoa sem ela ter o receituário médico, o que pode ser um tráfico de medicação controlada. Também havia uma inserção de informações falsas dentro do sistema do SUS e os profissionais não trabalhavam as horas que eram declaradas, para que a Apae recebesse valores maiores que os serviços prestados”, detalha.

Um crime de injúria racial também foi registrado pelos policiais. O Diretor Social da Federação Catarinense das Apae’s, J. C. A., também está sendo investigado. O Delegado Ulisses explica que ele orientou o presidente da associação de Lauro Müller a contratar um advogado com o dinheiro da Apae para fazer a defesa e evitar que qualquer pessoa citasse a participação dele nas suspeitas de crimes sexuais. Assim esse advogado acompanhava as testemunhas durante seus depoimentos à Polícia.

O delegado Márcio Maciel também explica que notou durante os depoimentos das testemunhas que elas não se sentiam à vontade sendo acompanhadas pelo advogado. “O advogado foi contratado com o dinheiro da Apae, mas o objetivo era que essas pessoas não falassem e causasse embaraço nos trabalhos investigativos”, explica Márcio.

Diante das investigações, a polícia cumpriu sete buscas e apreensão e quatro afastamentos temporário das funções, dentre eles do presidente da Apae de Lauro Müller, de duas servidoras da entidade e de um diretor da Federação das Apae’s de Santa Catarina.

“Apreendemos vários documentos, computadores, celulares e também a ritalina, que foi a substância que teria sido repassada para o presidente da Apae. Agora vamos fazer uma análise técnica de toda a documentação que foi apreendida. Encontramos também na residência do presidente da Apae muitos canhotos e recibos de pagamentos em postos de combustível e mercado”, relata Ulisses.

O Delegado Ulisses ainda falou que a Diretora da APAE, S. M. C. da R., já prestou esclarecimentos e colaborou com os trabalhos de investigação. Nesta quarta-feira (11), deverá ser ouvido o Diretor Social da Federação das Apaes e o presidente da Apae de Lauro Müller. Por meio da análise dos documentos e depoimentos a polícia civil vai determinar os valores utilizados pelo presidente e também quando os crimes começaram a ser cometidos.