Rafael Andrade
Tubarão

Três funcionários do Presídio Regional de Tubarão serão afastados a partir deste sábado. O diretor, Fabrício Buss de Medeiros, a agente penitenciária Maria Regina Domingos e o agente terceirizado Túlio Coutinho Rufino ficam, no mínimo, 30 dias longe de suas funções. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, por membros da corregedoria do Departamento de Administração Penal (Deap). Um processo administrativo foi aberto para investigar o caso.

Eles foram desligados em virtude de uma ação relatada com exclusividade pelo Notisul na edição de quinta-feira. Maria Regina e Túlio utilizaram um carro oficial do presídio, acompanhados de dois detentos, José Albino Bitencourt e Jailson Roussenq Elias, o Duçula, e foram à praia do Rosa, em Imbituba, na noite de quarta-feira.

O caso ‘estourou’ na imprensa estadual e nacional. Segundo informações de Fabrício, o grupo foi até Imbituba para buscar um notebook emprestado pela família de Duçula. O equipamento seria utilizado para fins administrativos na unidade de Tubarão.
Fabrício afirma que autorizou a ação e não vê nada de errado. “Acredito ser um procedimento normal. Pretendia acelerar os processos de saída temporária e indultos de Natal. No entanto, ocorreu todo este constrangimento. Se alguém errou, eu sou o culpado”, assume Fabrício.

O diretor diz estar com a consciência tranquila. “Isto é uma perseguição contra a minha pessoa. Estou chateado com a falta de consideração de alguns colegas de profissão. Muitos inventam ‘lorotas’ e criticam o meu trabalho. Felizmente, a maioria elogia as ações executadas desde quando assumi a gerência. Tanto é que vim para ficar duas semanas e estou há quase três meses”, aponta Fabrício.

O novo diretor é Ricardo Welausen. Ele gerenciou o presídio por cinco anos (saiu em setembro) e fica, no mínimo, por 30 dias. “Será um prazer retornar ao comando do presídio. Minha disposição será a mesma de sempre”, declara Ricardo. “Agora, tenho que limpar a sujeira formada lá, mas darei jeito. Senti vergonha como profissional da segurança pública quando li no jornal o fato da detenção do grupo tubaronense”, completa Ricardo.

A defesa dos agentes

A agente penitenciária Maria Regina Domingos e o agente terceirizado Túlio Coutinho Rufino estudam a possibilidade de acionar a justiça. Eles garantem que, durante o processo de abordagem e detenção, houve exageros dos policiais de Imbituba. “Eles agiram de forma imprudente e nos trataram como bandidos. Somos funcionários públicos. Fomos tentar ajudar e acabamos na delegacia, acusados de facilitação de fuga. Felizmente, houve o reconhecimento algumas horas depois e fomos liberados.

Esta ação não ficará impune”, avisa Maria Regina.
Túlio garante que não houve flagrante e o delegado responsável pelo caso não conseguia apontar algum crime. “Ele ficou folheando a Lei de Execuções Penais (LEP) e não encontrou nenhum crime para lavrar como flagrante”, lembra Túlio.

Durante três semanas…

Segundo o policial civil Murillo Brasiliense Mota, de Imbituba, há três semanas os agentes e o diretor Fabrício Buss de Medeiros vinham sendo investigados. “Os acompanhamos em outras operações ilegais nos últimos dias. Obtemos informações de que o grupo viria a Imbituba com dois detentos que foram presos por tráfico de drogas. Um deles o conhecido Duçula. Fizemos a nossa obrigação de deter todos, ainda mais quando o grupo dava voltas pela praia do Rosa. A suspeita é de envolvimento com o tráfico de drogas local”, destaca Murillo.

Fabrício Buss contesta e solicita o material coletado durante este período de investigação. “Por que ainda não apresentaram nenhuma foto, filmagem ou outro tipo de prova desses outros dias da investigação? Volto a frisar: a ida a Imbituba foi para recolher o notebook e fios elétricos. Agora, fui afastado para que haja transparência nas investigações. Porém, como haverá transparência se colocaram Ricardo, um inimigo declarado meu?”, questiona Fabrício.

“Afastamos por prudência”

A avaliação é do diretor do Deap, Nilson Júlio da Silva. Ele acredita que o afastamento dos três é a melhor medida tomada no momento. “Agimos com prudência. A gerência jurídica do Deap sugeriu o afastamento imediato deles e aprovamos a sugestão. Neste sábado, eles não fazem mais parte do funcionalismo do presídio tubaronense. Fabrício não tem argumentos convincentes para defesa do grupo. As investigações seguem em ritmo acelerado”, ressalta Nilson.