Dezenas de pessoas participaram da manifestação para protestar contra a violência. Foto: Lucy Vertuan/Divulgação/Notisul
Dezenas de pessoas participaram da manifestação para protestar contra a violência. Foto: Lucy Vertuan/Divulgação/Notisul

Mirna Graciela
Tubarão

Dezenas de pessoas participaram de uma passeata nesta sexta-feira, em Tubarão, para marcar o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual em Crianças e Adolescentes. A organização foi do Conselho Tutelar, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Todos os participantes vestiram uma camiseta preta estampada com uma flor amarela, símbolo da campanha contra o abuso. E carregaram faixas com mensagens de protesto à violência. Uma bandeira do Brasil pintada de vermelho, para lembrar os crimes ocorridos no país, foi lavada em frente à Casa da Cidade.

A finalidade foi alertar a população para a necessidade de ficar atenta e denunciar este tipo de crime, seja quem for o agressor. Em Tubarão, foram atendidos 25 casos, no ano passado, pelo Conselho Tutelar. A maioria das vítimas é meninos com idades entre 5 e 14 anos. Existem casos em que a criança abusada ganha dinheiro e entrega aos seus pais, que preferem fingir o que ocorre. Muitos deles são coniventes e até incentivam.
Por isto, as pessoas que tiverem conhecimento de algum tipo de agressão, devem ligar para o disque 100, que recebe denúncias anônimas, ou para o Conselho Tutelar de Tubarão, pelo número de telefone (48) 3626-4998.

Santa Catarina é o único estado que não tem delegacia especializada

A criação de cinco delegacias especializadas no atendimento a crianças e adolescentes foi apresentada pelo procurador-geral de justiça, Lio Marcos Marin, ao governo do estado, nesta sexta-feira, Dia Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. A proposta foi entregue ao vice-governador Eduardo Pinho Moreira, que representava o governador Raimundo Colombo.

O documento do Ministério Público de Santa Catarina solicita a criação de três delegacias especializadas na apuração de crimes praticados contra crianças e adolescentes, em função do número crescente e alarmante sobre este tipo de crime. Para o Ministério Público, há necessidade, também, da criação de outras duas delegacias especializadas em atos infracionais cometidos por adolescentes.

Santa Catarina é o único estado brasileiro que não dispõe de delegacia especializada exclusivamente na repressão dos crimes praticados contra crianças e adolescentes, e expõe, com dados, a gravidade da situação. No ano passado, o Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público do estado recebeu 1.833 denúncias prelo Disque Direitos Humanos (100), entre situações de negligência violência física, violência psicológica, abuso e exploração sexual – 36% de crimes sexuais, 43% a mais que no ano anterior.