A população previne-se como pode. Colocar trancas extras nas janelas, por exemplo, pode ser uma medida eficiente.
A população previne-se como pode. Colocar trancas extras nas janelas, por exemplo, pode ser uma medida eficiente.

Zahyra Mattar
Tubarão

Geralmente, a temporada de verão nas cidades interioranas, principalmente, é vista como um grande e farto shopping center para os ladrões. A redução no policiamento é um convite para o registro de arrombamento e furto em residências. CDs, aparelhos eletrônicos, bicicletas e qualquer outro objeto de valor transformam-se em moeda de troca em pontos de venda de drogas.

Esta situação não é isolada, não diz respeito a cidade ‘A’ ou ‘B’. Pelo contrário. Mesmo quando há combate ostensivo ao tráfico de drogas, um dos principais geradores de crimes “menores”, os furtos e arrombamentos batem recorde, todos os anos. Em Capivari de Baixo, a situação é tão crescente que já tira o sono do delegado de Polícia Civil Cezar Augusto Cardoso Reynaud. “Temos um índice deste tipo de crime muito alto para uma cidade com apenas 20 mil habitantes. Na proporção, os números de Capivari podem ser comparados aos de Tubarão, cujo número de habitantes é pelo menos quatro vezes maior”, analisa o delegado.

Os dados falam por si e ainda mostram um aumento considerável quando são comparados de um ano para o outro (veja detalhadamente no quadro abaixo). No ano passado, houve 127 furtos em residências. Em 2008, até o último dia 8, foram registrados 164 casos. Em Tubarão, nos mesmos períodos, foram 678 e 481, respectivamente. “Pode parecer que a conta está errada, mas, quando observamos os números de habitantes e as características das duas cidades, a análise fica mais evidente. É um número alto demais e o que mais me preocupa é o fato de aumentar de um ano para outro, e não diminuir, como ocorre em Tubarão”, pontua Cezar.

No caso do furto de veículos, exemplifica o delegado, 90% dos casos ocorrem no centro da cidade. “Isto significa que temos uma falha que precisa ser corrigida no quesito prevenção. O furto, por menor que seja, alimenta o tráfico de drogas e é o ponto de partida para crimes maiores. Considero que a situação não é boa em Capivari, mas ainda não está fora de controle. Ainda”, alerta o delegado.
A falta de registro das ocorrências também é um ponto que chama atenção. “Isto é de extrema importância. O cidadão de bem não pode ficar intimidado e achar que não vale a pena vir até a delegacia. Precisamos da ajuda da população neste aspecto. Basta telefonar para a nossa emergência, no 197”, orienta Cezar.

Em Tubarão, foram 116 furtos residenciais este mês

Maycon Vianna
Tubarão

Os números de furtos a residências e apartamentos em Tubarão aumentaram em escala preocupante. No mês de julho de 2007, foram 90 casos. No mesmo ano, em dezembro, foram 280 ocorrências, um aumento de 210 registros na Central de Polícia Civil (CPC). O mês de dezembro é o mais problemático em Tubarão. Isto é confirmado nos números registrados.

Em dezembro de 2007, foram 283 casos. Este mês, apenas entre o período entre o dia 1º até o dia 10, já foram comunicados 116 furtos. O detalhe mais preocupante – além, obviamente, do aumento deste tipo de crime – é que os números não refletem a realidade, já que nem todos procuram a polícia para registrar a ocorrência. “Como a cidade beira os 100 mil habitantes, é difícil ter o controle absoluto de todos os locais. Além disso, há muitos casos que não chegam ao nosso conhecimento. Muitos deixam de registra o B.O.”, lamenta o delegado da Central de Polícia Civil de Tubarão, Nazil Bento Júnior.

É através da comunicação do crime que a polícia alimenta o banco de dados a fim de ter subsídios para investigar a atuação de possíveis quadrilhas, por exemplo, ou até mesmo devolver os pertences dos cidadãos, quando encontrados.