Mirna Graciela
Imaruí

Na contramão da maioria dos municípios, Imaruí quer o Complexo Prisional de Santa Catarina. O prefeito Amarildo Matos de Souza encaminhou uma proposta formal ao governo do estado, por meio de um ofício, com a intenção de receber a unidade carcerária, que terá capacidade para 2,2 mil vagas.

O prefeito afirma que não existe nada oficial. “Não quero criar uma expectativa na população. Se der certo, então começaremos as tratativas com a comunidade e com o governo do estado para ver as benfeitorias”, avisa o prefeito.
Uma das vantagens é o recebimento de R$ 4 milhões e a chegada de algumas empresas para trabalhar em parceria. Segundo ele, outros benefícios foram listados no ofício. “Melhorias na geração de emprego e renda, por exemplo. É um conjunto que precisará ser avaliado”, acrescenta o Amarildo.

No entanto, a possibilidade de o Complexo Prisional ser construído em Imaruí desagrada muitos moradores. A professora Elina Viroussenq, que possui um blog, é totalmente contra. “Como pensar em turismo religioso? Em desenvolvimento de uma cidade bela, pacata e tranquila, com a vinda de um complexo presidiário?”, questiona a educadora. Várias pessoas manifestam a mesma opinião no site.
O prefeito Amarildo garante que, em hipótese alguma, comprometeria a segurança da população. E não considera que o complexo prisional possa gerar qualquer risco. “Sendo afastado do centro, não teria problema, vou conhecer a fundo o projeto, não faria nada sem falar com a população. Inclusive, já conversei com algumas lideranças”, revela o prefeito.

Palhoça não quer o complexo, mas as cidades que aceitam ficam longe da capital

Depois de a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) analisar mais de dez terrenos no interior de Palhoça e indicar uma área sem problemas ambientais para a construção do complexo prisional, o governo começa a procurar outro município. Apesar de ter o poder de decidir o local da obra, o estado não quer se indispor com o prefeito de Palhoça, Ronério Heiderscheidt, que sempre foi contrário ao projeto.
A secretária da justiça e cidadania, Ada de Luca, informou que a decisão está nas mãos no governador e que somente após a definição do local o órgão cuidará da parte operacional. As chances cidades não pertencentes ou distantes da Grande Florianópolis tornam-se remotas, já que, por lei, exceto em casos especiais, os detentos não podem cumprir pena longe da região onde vivem as suas famílias.

Imaruí foi a única que enviou ofício, mas outras estão no páreo em fase de habilitação, como Capão Alto e São José do Cerrito, na região serrana. O prefeito da primeira, Antônio Coelho Lopes Junior, conversou com membros do governo e ficou animado com a proposta. Já o da segunda, o prefeito interino Antônio Paes de Oliveira, diz que o município deve definir esta semana se enviará o ofício para também disputar o projeto.
O secretário de estado de administração, Milton Martini, recebeu o ofício do prefeito de Imaruí, Amarildo Matos de Souza, e diz que agora precisa da avaliação da equipe técnica e um parecer da Fatma.