Rafael Andrade
Tubarão

Uma família de baixa renda de Tubarão implora pela revogação de um mandado de despejo. São duas crianças (meninas), de 5 e 7 anos, e os pais, Roseli Belo Teixeira, 27 anos, grávida de dois meses, e Adilson Souto Teixeira. Um oficial de justiça do fórum de Tubarão tentou cumprir a decisão judicial acompanhado de dez policiais militares na terça-feira, mas foi impedido pela família, que se trancou em casa.

O oficial afirmou que iria retornar no dia seguinte, ontem, mas preferiu mudar de estratégia e requisitar um mandado de arrombamento à juíza Cleusa Maria Cardoso, titular do juizado especial civil do foro de Tubarão. O documento pode ser expedido a qualquer momento. A decisão poderá resultar em problemas de ordem pública. Os quase 250 moradores das 78 casas da Cohab afirmam que irão intervir se o oficial de justiça retornar ao local.

A família mora na casa há quase sete anos. Adilson é motorista e Roseli trabalha em uma fábrica nas proximidades, como auxiliar de serviços gerais. “Com muito esforço e suor, conseguimos melhorar o aspecto da casa e transformá-la em um lar mais confortável. Agora, querem nos tirar. É um absurdo, uma injustiça”, lamenta Adilson.

Quando comprou o imóvel, o casal não sabia que era uma transação ilegal – já que se trata de uma casa de Cohab, doada pelo poder público. Ninguém tem escritura das casas na localidade, mas tem recibos. O comprovante de residência (conta de luz) já está em nome de Adilson, o que pode ajudá-lo em um eventual processo de reversão desses mandados.

8815-8115
Este é o telefone de Adilson Souto Teixeira, morador de uma casa na Cohab, no bairro Guarda, em Tubarão. Ele comprou o imóvel há quase sete anos e conta que não sabia que as casas não podem ser comercializadas no local. “Se algum advogado puder ajudar a minha família neste caso, sou grato pelo resto da minha vida. Não sabemos mais a quem recorrer”, declara Adilson.

Poucas chances… O que fazer?

Adilson Souto Teixeira e Roseli Belo Teixeira, proprietários de uma casa na Cohab do bairro Guarda, em Tubarão, estão desesperados. Eles podem ser despejados ou expulsos da própria casa a qualquer momento devido a um processo de reintegração de posse, movido pelo primeiro dono do imóvel, em 2003. Ele já havia perdido uma causa, mas iniciou outra.

Duas meninas moram com o casal, de 5 e 7 anos. Assim que a filha mais nova do casal presenciou a chegada do oficial de justiça e dos policiais militares, começou a gritar e escondeu-se em um quarto. “A minha filha tem problemas cardiovascular e agora precisarei levá-la também para tratamentos com psicólogos. Ela está assustada e quase não fala”, lamenta Roseli.

Ontem à tarde, a família tentou uma consulta com um advogado na Casa da Cidadania, no centro, mas não conseguiu. “Agora, preciso gastar o que já não temos com um advogado para tentar reverter este pesadelo que estamos vivendo”, declara Adilson.
Segundo um advogado particular contatado ontem pelo casal, as chances da família permanecer na casa são de 10%.

“Já faltei serviço um dia. Estou de campana sabendo que o oficial e os policiais podem chegar a qualquer momento e nos retirar daqui à força. O que vou fazer? Para onde vou levar a minha família?”, indaga Adilson.