Rafael Andrade
Braço do Norte

O que leva uma gestante a procurar para interromper a gravidez? Muitas vezes, uma fecundação de 16, 20, 24 semanas, com todos os órgãos do bebê formados. Algumas ‘mães’ da região interromperam a fecundação em uma clínica de aborto em de Braço do Norte, segundo a Polícia Civil.

Após duas semanas de investigação, os agentes, coordenados pelo delegado José Leonardo Valente, cumpriram um mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira de manhã, por volta das 7h20min, na região central de Braço do Norte.
Um homem de 40 anos foi detido e levado à delegacia. A clínica clandestina funcionava em seu quarto. As ‘pacientes’ marcavam hora e, durante o procedimento, deitavam-se na cama do aborteiro.

As investigações indicam que o acusado fazia uma incisão no útero de uma gestante e puxava o feto pelo canal vaginal. Um líquido medicinal foi apreendido no quarto do acusado. A suspeita é que seja um tipo de anestesia para aplicação local.

Além do componente químico, várias tesouras cirúrgicas, bisturis, outros materiais clínicos e um crachá da Vigilância Sanitária foram apreendidos no quarto. Ele é técnico de enfermagem e já trabalhou em várias unidades hospitalares da região.
“Tomamos o seu depoimento, mas ele responderá ao inquérito em liberdade, pois não o flagramos praticando um aborto. No entanto, os indícios, as denúncias e o seu depoimento contraditório indicam a sua participação como mentor do caso. Acreditamos que ele agia sozinho”, revela Valente.

10
anos de prisão. Esta pode ser a pena ao aborteiro.
O crime teria sido praticado com o consentimento das gestantes, o que piora o caso. As ‘mães’ também podem ser presas. Ainda não há um número correto de clientes da clínica clandestina, mas informações dão conta de que o acusado agia há pouco mais de seis meses.

A Polícia Civil ainda investiga se houve complicações em algum dos casos. Uma grande mancha de sangue foi encontrada pelos agentes na cama do aborteiro, que tem 40 anos e é técnico de enfermagem. A propaganda de seu negócio era feita por meio do ‘boca-a-boca’. As próprias ‘mães’ que procuravam o ‘serviço’ indicavam outras gestantes. A polícia suspeita que gestantes adolescentes também tenham procurado o aborteiro.