Após dar a volta na praça central, a população fez um apitaço em frente à prefeitura.
Após dar a volta na praça central, a população fez um apitaço em frente à prefeitura.

Mirna Graciela
Imaruí

Aproximadamente 1,3 mil pessoas participaram nesta sexta-feira de uma manifestação contra a construção de um complexo penitenciário em Imaruí. O ato ocorreu na praça Getúlio Vargas, no Centro.
O número expressivo superou as expectativas da organização. Todos caminharam em volta da praça e finalizaram com um apitaço em frente à prefeitura.

Duas empresas de confecção, do bairro Aratingaúba, liberaram os seus funcionários para o protesto. Ambas são próximas à comunidade de Sertão do Cangueri, onde fica o terreno projetado para a construção do complexo.
A população expôs a sua posição. O sistema de som foi liberado para quem desejasse se pronunciar. Muitos falaram da vontade de ouvir o prefeito Amarildo Matos de Souza e serem ouvidos por ele.
“Gostaríamos que ele apontasse as vantagens para debatermos, o que não ocorreu até hoje”, lamentou a vereadora Elina Vieira Roussenq, que está à frente da mobilização.

Em setembro, ela e o vereador Vanderlei Cunha apresentaram um requerimento na câmara de vereadores com o pedido de uma audiência pública para tratar da questão, mas foi reprovado.
“Apresentaremos uma moção de repúdio ao prefeito pela atitude de não fazer a audiência e convidamos a todos para irem à câmara. As pessoas têm que estar cientes de quem realmente está ao lado delas”, informou a vereadora.

Forte presença de adolescentes chamou a atenção

A participação de jovens no manifesto em Imaruí foi numerosa e chamou a atenção. Eles confeccionaram os materiais – cartazes e faixas – para o protesto. E muitos deixaram de ir à escola. “Incrível como eles se comportaram e, mesmo aqueles que são tímidos, encorajaram-se e foram ao microfone colocar suas ideias”, contou a vereadora Elina Vieira Roussenq. Os professores da Escola Municipal Portinho Bittencourt, no Centro, foram proibidos pela secretaria de educação de se manifestarem, segundo a vereadora. Um cartaz intitulado Inimigos do povo de Imaruí, confeccionado por uma professora, com uma lista, teve que ser alterado. O vereador conhecido como Mizinho, que era favorável à construção, pediu que retirassem o seu nome da lista e manifestou seu apoio publicamente.

Imaruí foi a única a enviar proposta, mas outras manifestaram a vontade

Um contato com o prefeito de Imaruí, Amarildo Matos de Souza, foi feito pela redação do Notisul esta semana. No entanto, ele não quis se pronunciar. Sua assessoria alegou que ele conversará com a população e com a imprensa depois de o governo dar uma resposta ao pedido de instalação do Complexo Penitenciário.

O município foi o único que enviou proposta formal ao governo estadual com a intenção de receber a unidade carcerária. Mas outras cidades manifestaram o desejo, como Capão Alto e São José do Cerrito, na região serrana. Já Florianópolis, cotada inicialmente para receber a penitenciária, recusou.
Uma das vantagens é o recebimento de R$ 4 milhões e a chegada de algumas empresas para trabalhar em parceira. Outros benefícios foram listados no ofício encaminhado pelo prefeito.