A sede do CIP em Tubarão poderá sofrer com a falta de manutenção se a verba repassada pelo governo for cortada.
A sede do CIP em Tubarão poderá sofrer com a falta de manutenção se a verba repassada pelo governo for cortada.

Maycon Vianna
Tubarão

O dinheiro do governo estadual repassado mensalmente para o Centro de Internamento Provisório (CIP) não deve vir mais. O convênio entre os governos estadual e municipal, que já dura praticamente dez anos, será cancelado. A garantia é do vereador Maurício da Silva (PMDB) e do diretor do CIP, Vasco Francisco da Silva. “O repasse de verba mensal do governo do estado gira em torno de R$ 20 mil. Querem que uma Organização Não-Governamental (ONG) entre neste processo administrativo, mas isso pode trazer sérios prejuízos à instituição”, afirma Vasco.

O estado já manifestou, por meio da secretaria de segurança pública, que o convênio será cancelado. Segundo o diretor do CIP, os juízes da comarca de Tubarão, Laguna e Braço do Norte, o delegado regional Renato Poeta, além de outros órgãos públicos, já se manifestaram contra o corte do envio de verbas. “Garanto que as autoridades jurídicas, políticas e sociedade sabem muito bem o trabalho sério que fizemos. Eles conhecem as nossas atividades. Se o CIP passar para as mãos de uma ONG, por exemplo, pode faltar dinheiro para a manutenção de veículos e dos alojamentos”, revela Vasco.

O vereador Maurício da Silva quer uma explicação sobre o cancelamento. “Não entendi o motivo. Eles atendem a 18 pessoas, quando a capacidade máxima do CIP é entre sete e dez pessoas. Sem o dinheiro, haverá inúmeras dificuldades na continuação do atendimento aos menores infratores de Tubarão e região”, diz o vereador.

Diretor do CIP encaminha ofícios

A indignação do diretor do Centro de Internamento Provisório (CIP) de Tubarão, Vasco Francisco da Silva, era nítida na tarde de ontem. Ele foi a Florianópolis para entregar ofícios assinados por autoridades da cidade e da região contrárias ao corte do repasse de verbas para o CIP. “Não disseram onde erramos. Temos um modelo de administração exemplar. É o único CIP no estado que ainda não tem uma ONG envolvida”, revela Vasco.

O diretor do CIP tubaronense critica todos os CIPs controlados por ONGs e garante que muitos estão com problemas administrativos. “Em Tubarão, por exemplo, a maior parte dos gastos, como o pagamento da folha salarial dos funcionários, entre outras questões, é paga pela prefeitura. Os centros administrados por ONGs no estado passam por sérios problemas de manutenção interna e até mesmo da alimentação servida aos adolescentes”, detalha Vasco.

O Notisul tentou contato, na tarde de ontem, com o diretor de justiça e cidadania da secretaria de segurança pública do estado, Itamar Bressan Bonelli. A assessoria de comunicação informou que Itamar não poderia atender à imprensa porque esteve em reunião durante o dia em Curitibanos, justamente para discutir questões relacionadas a convênios de ONGs com os CIPs de Santa Catarina.