Rafael Andrade/
Tubarão

“Não planejei o crime. Quando bebo, me transformo. Meus irmãos já chegaram a me falar que tenho força de um cavalo. Nem sei o que fiz direito”. A confissão é do servente de pedreiro de 20 anos que matou a jovem Morgana da Silva, 24, na madrugada do último sábado, em Braço do Norte. Ele foi apresentado à imprensa na tarde de ontem e acredita que a prisão irá piorar o transtorno psicológico que afirma ter.

O delegado Marcelo Bitencourt coordena o inquérito sobre o caso e detalha que o acusado – réu primário – relatou que desistiu de estuprar Morgana e a deixou agonizando antes da morte. “Foi um ato covarde. Deveremos, a princípio, enquadrá-lo por homicídio doloso (com intenção de matar). Houve a tentativa de estupro – ele rasgou a blusa e o sutiã da vítima -, mas não completou o abuso sexual. Já tomamos o seu depoimento e o inquérito ainda não está pronto, mas muito bem encaminhado”, explica o delegado.

“Desde que sofri um acidente de moto, em 2007, percebi que herdei algumas sequelas psicológicas. Quando bebo, me transformo e fico agressivo. Não tenho medo de voltar a Braço do Norte e, se alguém quiser me agredir, mato ou sou morto”, declara o rapaz com muita frieza. Questionado sobre a angústia da vítima – enfiou a meia de Morgana em sua garganta, o que trancou a sua respiração -, ele revelou que desistiu de estuprá-la e só pensou em si, fugindo em direção a Urussanga, onde foi capturado na casa da mãe, na noite de segunda-feira.

O assassino morava em São Ludgero, na casa de um colega pedreiro, e agora a sua nova residência é o Presídio Regional de Tubarão. Caso seja comprovado distúrbio mental, ele deverá ser transferido para o Instituto de Psiquiatria Colônia Santana, em São José.