Bernardino foi o mentor de um dos principais esquemas de desmanches do Brasil descobertos até hoje.
Bernardino foi o mentor de um dos principais esquemas de desmanches do Brasil descobertos até hoje.

Rafael Andrade
Tubarão

Mais um tubaronense envolvido no caso do megadesmanche de veículos em Tubarão e cidades vizinhas, descoberto em 2002, foi preso pela polícia. Um mandado de prisão e sentença condenatória, expedido pelo Tribunal de Justiça, há quatro meses, foi cumprido nesta sexta-feira.

O homem de 49 anos foi localizado e detido em sua casa, no bairro São João margem esquerda, e levado à Central de Operações Policiais (COP). Foi ouvido pelo delegado Marcos Ghizoni e encaminhado ao Presídio Regional de Tubarão.

O acusado foi condenado a quase sete anos de prisão em regime fechado. Há menos de dois meses, um homem de 47 anos, considerado um braço direito de Flávio Bernardino dos Santos – mentor dos desmanche -, também foi detido em Tubarão, no bairro Oficinas. Devido a um tratamento de um câncer, ele responde em prisão domiciliar.
Bernardino, que foi detido ainda em 2002, cumpre pena de 28 anos de reclusão, mas tem problemas cardiorrespiratórios e também cumpre a pena em uma casa em Laguna.
“Já são cinco presos condenados neste processo. Destes, quatro foram detidos este ano pela equipe da COP”, lembra um investigador da Polícia Civil.

A quadrilha de Bernardino é acusada de falsidade ideológica, receptação, adulteração de identificação de veículo, corrupção ativa e furtos e roubos de caminhonetes e caminhões. Além de Flávio Bernardino, cinco ex-funcionários da L.A. Santos (empresa onde era desmanchada a maioria dos veículos), também foram condenados: um ainda responde o processo em liberdade.
A quadrilha de desmanche de veículos de Tubarão, o maior já descoberto no estado, começou a ser desmantelada em janeiro de 2002.

‘Prisão’ domiciliar

O ex-empresário Flávio Bernardino dos Santos, principal acusado do caso dos desmanches de carros nacionais e importados no sul do estado – esquema descoberto em Tubarão em 2002 -, está em prisão domiciliar em uma residência localizada em Laguna. Ao todo, ele foi condenado a 28 anos de reclusão – já cumpriu oito. Pode ser beneficiado por progressão de regime daqui a três anos.

Bernardino foi julgado e condenado por formação de quadrilha, roubo e adulteração de veículos e sonegação fiscal e participação em furtos de caminhões, motores de caminhonetes e outras peças automotivas. Alguns bens de Bernardino, como o galpão onde funcionava a antiga loja de pneus L.A.Santos, na rua deputado Olices Pedra Caldas (marginal da BR-101), no bairro Humaitá, foram a leilão. O imóvel está avaliado em R$ 3 milhões. Os acusados têm uma dívida milionária com a justiça estadual, que ainda não foi paga.