Rafael Andrade
Tubarão

A Casa de Semi-Liberdade, para adolescentes infratores, seria aberta este mês na rua Sílvio Cargnin, bairro Oficinas, em Tubarão. Seria. Ontem, Marconi Ribas Mendes, responsável pela Organização Não Governamental (ONG) Oficina de Arte Comunitária (Odac), que administra o local, recebeu a notícia do secretário estadual de segurança pública e defesa do cidadão, Ronaldo Benedet, de que o local é impróprio.

Um novo ponto será procurado. “Investi mais de R$ 50 mil no prédio e agora eles me dizem que é impróprio. É uma pena”, reclama Marconi. Ele participa de uma reunião com o diretor do Departamento Estadual de Justiça e Cidadania (Djuc), Itamar Bonelli, e o secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Jairo Cascaes, hoje, às 14 horas, na sede da SDR. Na pauta, a definição de quem irá procurar um novo local para instalação da instituição.
“Vamos procurar outro lugar. Tem que ser adequado e não pode ser próximo a residências, empresas ou indústrias”, alerta Benedet. “Não serei mais o responsável pela procura. Agora, eles que decidam”, lamenta Marconi.

Discussões à parte, os moradores de Oficinas ficaram aliviados com a decisão. “Ainda bem que não vai ser mais aqui. Tem muitas crianças e idosos nas redondezas, além de ter pontos de tráfico de drogas nas proximidades”, argumenta a dona de casa Sheila Antunes Bressan.
“Recebi alvarás de todos, menos o essencial, o da prefeitura, que não vai liberar o documento”, relata Marconi.

Onde funcionava

A casa ficava em Capivari de Baixo e fechou para que fossem feitas algumas adequações no prédio. Porém, o imóvel era alugado e o proprietário não quis renovar o contrato com o estado. “Como não houve renovação no contrato imobiliário, suspendemos as atividades e dez menores que cumpriam medidas sócioeducativas foram transferidos para outras unidades, em Criciúma, Araranguá e Biguaçu”, reitera o diretor do Djuc, Itamar Bonelli.

A diferença da Casa de Semi-Liberdade para o CIP é a socialização mais abrangente dos internos. O menor infrator poderá ir à escola e frequentar cursos profissionalizantes, participar de oficinas culturais fora da casa e retornar ao local. O tempo de saída de cada adolescente é estipulado pelos educadores do local. Os educadores que trabalham na casa passam por treinamento.