Mirna Graciela
Tubarão

Com indícios de maus-tratos, um bebê de apenas seis meses morreu no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão. A menina estava internada na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, não resistiu aos ferimentos e faleceu na última segunda-feira, por volta das 13h38min.
Há três meses, a criança sofria com esta situação, caracterizada por abuso físico (lesões no corpo), negligência à saúde e abandono. A mãe, de 26 anos, solteira, é a principal suspeita do crime. Ela é natural de Tubarão e atualmente mora em Laguna.

Aos poucos, neste período, a vítima adoeceu. O corpo foi recolhido pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) de Tubarão. O boletim de ocorrência foi registrado pelo Conselho Tutelar de Laguna e o caso chegou à delegacia da cidade um dia após a morte, sob a responsabilidade do delegado Flávio Costa Gorla. “Um inquérito policial foi instaurado para apurar o crime de maus-tratos qualificado com morte. As primeiras ações começaram a ser tomadas”, informou o delegado.

Gorla determinou a intimação da mãe para prestar declarações, na condição de suspeita. Também da conselheira tutelar de Laguna que acompanhou o caso, para depor e apresentar relatório. E enviou ofício ao hospital com a solicitação de documentos sobre o quadro clínico da criança.
Segundo o delegado, caso a mulher seja condenada pelo crime de maus-tratos, pode pegar até 12 anos de prisão, com possibilidade de a pena ser aumentada em razão da idade da vítima.

Como perceber quando uma criança sofre agressão?

Vizinhos, parentes e professores podem ajudar e denunciar os maus-tratos que sofrem muitas crianças e adolescentes. Mas, para isto, é necessário conhecer alguns sinais.
Mudança de comportamento é um deles, quando se tornam arredios e mantêm distância das demais pessoas, principalmente quando uma delas enquadrar-se no perfil do agressor, com características físicas ou comportamentais.
Outra evidência é a apresentação de manchas e feridas na pele. Quando a criança é questionada do motivo, muda de assunto por medo porque sofreu algum tipo de repressão ou ameaça do autor. A vítima também fica mais manhosa e chora com maior facilidade.

Qual é a diferença entre infanticídio e depressão pós-parto?

Existem alguns fatores que levam os pais a agredirem e até matarem seus próprios filhos. Entre eles, o infanticídio e a depressão pós-parto.
• Infanticídio: é a morte dada voluntariamente a um recém-nascido (especialmente) ou criança. Não está associado à depressão pós-parto, é o crime contra a criança. A mãe acha que o filho – não desejado – vai causar algum dano ou atrapalhar a rotina da família. O pai também pode se sentir ameaçado por ciúmes ou que vai ser deixado de lado. Assim, cometem o crime para se livrar do “problema”.
• Depressão pós-parto: são sintomas leves, como não desejar amamentar, ter aversão à criança e não querer sua companhia. Os sinais aparecem, mas, em alguns casos, o diagnóstico ocorre depois. A depressão pode ocorrer com oito meses após o nascimento e até a criança atingir 1 ano. Quando a mãe apresenta os sintomas, geralmente a família percebe e toma providências. Se não tiver o tratamento adequado, em uma situação de total descontrole da mãe, por um impulso, ela pode cometer algo mais grave contra a criança.