Rafael Andrade
Tubarão

Dois adolescentes, de 14 e 17 anos – o mais velho foragido do Centro de Internamento Provisório (CIP) -, foram apreendidos, ontem à tarde, no bairro Morrotes, em Tubarão. A dupla é acusada de atirar em via pública, trocar tiros com a polícia, desacatar e favorecer fuga e roubo.

A Polícia Militar de Tubarão teve trabalho para apreendê-los e conter a ‘fúria’ de alguns moradores, que os enfrentaram quando deixavam a comunidade. Os policiais chegaram aos acusados após receber denúncia anônima de um morador do Morrotes, que disse presenciar os menores praticando tiro ao alvo e exibir uma arma calibre 38, cano curto. A PM foi verificar e confirmou os fatos. No entanto, os menores iniciaram fuga, a pé, pelas casas do bairro, próximo ao Beco do Quilinho – ponto de tráfico de crack.

Na perseguição aos menores, um policial pulou de uma laje e quebrou a perna. Teve fratura exposta e foi socorrido pelos bombeiros. O apoio foi acionado – inclusive, o Pelotão de Policiamento Tático (PPT) de Laguna – e os adolescentes foram surpreendidos pela PM no banheiro do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), onde invadiram para se esconder. Um terceiro adolescente teria favorecido a fuga dos colegas.

Uma psicóloga grávida que trabalha no local ficou assustada e também precisou ser amparada pelos bombeiros. Dezoito policiais atuaram na ocorrência. Um sargento da PM levou uma pedrada de moradores que acompanhavam a perseguição. Em menos de dez minutos, cerca de 150 pessoas aglomeram-se para acompanhar o trabalho da polícia. A arma utilizada pelos menores foi encontrada no telhado de uma casa abandonada, no Beco do Quilinho.

Moradores agridem
e acusam de agressão

Não era filme nem cena de cidade grande. Ocorreu no bairro Morrotes, em Tubarão, às 17 horas. Assim que os menores infratores foram apreendidos, os moradores da comunidade, incluindo a esposa do adolescente mais velho, partiu para cima dos policiais militares, que rebateram com disparos de bala de borracha.
Os moradores xingavam os policiais e os acusavam de espancar os adolescentes para pressioná-los. “Eles não fizeram nada, não foi apreendida droga nenhuma e ainda vêm para cá para se exibirem”, lamentava uma adolescente.

O capitão Silvio Roberto Lisboa rebate e diz que atirar em via pública, ainda sem porte, é um crime gravíssimo. “Conseguimos êxito em mais este caso. Inclusive, uma corrente de ouro dispensada por um dos menores foi recuperada e possivelmente pertence à Relojoaria Cássio, assaltada há algumas semanas”, informa Lisboa.

O trio envolvido foi encaminhado à Delegacia da Criança, do Adolescente, de Proteção à Mulher e ao Idoso. Um homem de 24 anos que desferiu um soco em um policial e os desacatou também foi detido e levado à Central de Polícia. O rapaz e um adolescente foram liberados em seguida. Os outros dois foram levados ao Centro de Internamento Provisório, onde ficam, no máximo, 45 dias.
Um carro da TVBV local foi apedrejada e várias viaturas da PM danificadas.