A sessão de julgamento, presidida pelo juiz Guilherme Mattei Borsoi, titular da 1ª Vara Criminal de Tubarão - Foto: Banco de Imagens

Preso desde março do 2019, o último dos denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pela morte de uma menina de cinco anos, Cleiton Stanck Silveira, foi condenado a 49 anos e dois meses de prisão em regime inicialmente fechado. A sessão de julgamento, presidida pelo juiz Guilherme Mattei Borsoi, titular da 1ª Vara Criminal da comarca, teve quase 14 horas de duração e foi tomada pela emoção. A criança foi a única vítima fatal da emboscada armada pelos autores do crime, cometido por vingança contra um adolescente que atuava em um grupo rival no tráfico de drogas no Morro do Caeté, em maio de 2014.

Conforme sustentado no julgamento pelo Promotor de Justiça Diego Henrique Siqueira Ferreira, o réu Cleiton Stanck Silveira foi condenado pelo homicídio da criança e por três tentativas de assassinato praticadas contra um adolescente e duas mulheres que estavam no carro alvejado durante o atentado. Os crimes foram qualificados pelo motivo torpe e por usar de emboscada. O réu também foi acusado e condenado por corrupção de menor, uma vez que se utilizou de uma adolescente para armar a emboscada contra as vítimas.

Os outros três denunciados que atuaram com Cleiton já foram condenados pelos mesmos crimes e qualificadoras. Ele foi processado depois deles e só foi julgado e condenado agora por ter conseguido fugir e se manter escondido por aproximadamente cinco anos. Agora apenado, Cleiton cumprirá a sentença na Penitenciária Masculina de Tubarão. Cabe recurso da decisão ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

O Crime 
A morte da menina causou revolta na opinião pública de Tubarão, à época, pois os acusados alvejaram o veículo onde estava o adolescente que pretendiam matar sabendo que havia outras pessoas com ele no veículo, inclusive a criança, que era filha de uma das passageiras e do suposto chefe do grupo rival, que não estava com as vítimas. Cleiton planejou a morte do adolescente e a emboscada para cometer o crime motivado pela vingança. Para atrair a vítima, ele teria persuadido outra adolescente a criar um perfil falso em uma rede social se passando por uma garota que estaria interessada na vítima. O adolescente seria morto para que Cleiton demonstrasse poder e se vingasse pela morte de outro integrante de seu grupo que teria sido assassinado pela facção rival, comandada pelo pai da menina.

O adolescente acreditou que a garota era real e marcou um encontro com ela no bairro Dehon. A emboscada estava correndo como Cleiton e o seu grupo teriam planejado. No local do encontro, porém, o adolescente chegou acompanhado. Mesmo assim, os autores da armadilha não recuaram e, segundo as apurações, ainda teriam decidido que seguiriam com o plano e matariam os demais ocupantes do carro. O veículo foi alvejado pelo menos sete vezes. O adolescente foi atingido por dois tiros, um na coxa e outro no pé, mas sobreviveu. A menina foi alvejada também por dois disparos, mas um dos projéteis acertou a sua cabeça e ela morreu na hora.

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